Blog de Ângelo Vieira da Silva, Marido da Keila, pai do Rafael. Cristão Calvinista, Pastor Presbiteriano. Pesquisador dedicado. Cruzeirense e Gamer de clássicos.

AS CARACTERÍSTICAS DA ADORAÇÃO




Adoração… Este é um tema bem sugestivo. Muito se pode dizer ao fazermos uma análise bíblica. Mas, analisando o contexto das igrejas pós-modernas, veremos problemas sérios, razão pela qual precisamos buscar o entendimento das Escrituras sobre essa matéria. Por isso, mais que um tema, adoração é um estilo de vida.

A partir da Palavra de Deus podemos fazer associações, mostrar a influência e a organização da música em relação ao ser humano, uma vez que todos os homens ouvem e cantam música. Contudo, a partir do contexto hodierno, encontrar-se-ão perigos em relação à adoração, à música como poder de persuasão “substituindo”, por exemplo, a atuação do Espírito Santo e tocando apenas parte das pessoas. Assim, o objetivo dessa pastoral é conclamar os crentes a cuidarem de suas vidas e da música, com suas nuances, na adoração ao nosso Deus. “Uma igreja consciente sempre procurará selecionar suas canções, canalizando-as sempre à adoração do Senhor”.

Segundo o reformador Martinho Lutero a música é um dos mais magníficos e deleitáveis presentes que Deus nos tem dado. João Calvino não ignorava o poder da música; antes, compreendia que o cantar tem uma conotação de lembrança e estímulo espiritual para aquele que canta, como o “falar entre vós com salmos” recomendado por Paulo em Ef 5.19. O reformador seguia o pensamento de Agostinho que demonstrava de forma enfática a preocupação em não se deixar conduzir pela melodia, sem a devida meditação na letra, ou seja, ter a consciência daquilo que se fala, se canta e se ouve. “Os nossos améns não podem ser transformados em vãs repetições desconexas, antes devem ser fruto da fé e da compreensão do que foi falado e cantado”. É por isso que os cânticos na adoração precisam ter um grande apelo didático, objetivando, inclusive, a fixação das Escrituras.

Hoje se fala muito de worship. Este termo vem do anglo-saxão (ainda que tenha sofrido muitas mudanças ao longo dos anos) significando “atribuir valor, mérito a alguém ou alguma coisa”. Espera-se que os crentes possam, verdadeira e espiritualmente, atribuir valor e mérito ao único que é digno de receber: o Deus trino. O culto é para Ele e deve ser fruto de nossa nova vida, gratidão e louvor, sendo sempre embasado na Palavra do Senhor. Portanto, podemos declarar: o culto e a adoração ao nosso Deus são caracterizados pela submissão às Escrituras: “… procurai progredir, para a edificação da igreja. Que farei pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente” ( 1 Co 14.12b, 15). Entenda também:

1) A ADORAÇÃO É UMA DECLARAÇÃO, NÃO UMA SENSAÇÃO: Mas, por quê adoração não é uma sensação? Basicamente, por ser a sensação uma grande impressão devido a um acontecimento raro. Seria rara a sensação da presença de Deus quando nós o adoramos? Creio que não, pois é no processo de adoração que Deus comunica sua presença aos homens. É por isso que a adoração é uma declaração, isto é, através dela declaramos que o Senhor reina, sua graça é manifesta e está presente em todos nós, como costumamos cantar. Na adoração declaramos nossa fé, nossas convicções. Na adoração declaramos a glória de Deus. Pergunto: o que você mais vê hoje na adoração: declaração ou sensação?

2) A ADORAÇÃO É UMA REAÇÃO, NÃO UM CLIMA: clima pode ser definido como o conjunto de caracteres de um ambiente. Se quisermos, podemos criar uma atmosfera propícia para que as pessoas chorem e lamentem exacerbadamente, sem, contudo, trazerem mudanças genuínas em suas vidas. Na verdade tocamos o coração, mas não a alma; tocamos os sentidos e não a razão. Toca-se apenas parte do ser humano. A adoração é uma reação ao entendimento (razão e emoção juntas) do ser de Deus, isto é, adoramos ao Senhor pelo o que Ele é, pelo o que Ele fez, faz e fará em nós. Em suma, adoramos a Deus porque entendemos que só Ele é digno de ser adorado emocional e racionalmente.
Rev. Ângelo Vieira da Silva

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