UMA OPINIÃO SOBRE AS SUPERSTIÇÕES NO FIM DE ANO


Deliberadamente, o cristão comprometido com as Escrituras se vê diante de muitos dilemas culturais que almeja ler à luz de sua fé. As superstições no fim de ano são um bom exemplo disso, pois, aparentemente, são muitos que estabelecem um apego e crença exagerados (até infundados) em coisas – roupas, alimentos, pessoas, atitudes, simpatias – puramente casuais.

Muito ligado à religiosidade ou à “sabedoria popular”, o conceito de superstição aborda as atitudes recorrentes que induzem ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes, seja pelo temor ou pela ignorância, que também pode ser chamado de crendice. Por isso, trago aqui uma singela opinião sobre o assunto, a fim de ajudar cristãos que necessitem de mais esclarecimentos e ainda não souberam como lidar com as superstições “obrigatórias” para o êxito na vida. Observe algumas delas:

1. AS CORES OBRIGATÓRIAS. É sabido que o branco é a cor mais popular no Réveillon, mas as superstições quanto às cores são inúmeras. Muitos julgam que o branco trará paz, o vermelho/rosa guiará a um novo amor ou paixão, o verde/amarelo/laranja atrairá dinheiro e o violeta proporcionará estabilidade, etc.. Todavia, o tom que confere sucesso na vida envolve a matiz do trabalho, caráter e sabedoria, crendo que Deus opera em cada uma das nuances.

2. AS COMIDAS OBRIGATÓRIAS. Assim como o peru está para o Natal, vários alimentos aparecem na lista de superstições para o novo ano. Na crendice popular, entre animais e frutos, o porco ajudará na prosperidade, o peixe fisgará fertilidade, o carneiro trará vitalidade, as sementes de romã, uvas (comer doze à meia-noite) e maçãs plantarão abundância que, ao lado das lentilhas (também devem ser consumidas à meia-noite), atrairão riquezas. É assim que a ilusão se torna um doce alimento para a alma faminta e ávida por refrigério.

3. OS GESTOS OBRIGATÓRIOS. Há uma série de gestos supersticiosos que remontam ao novo ano que se inicia. Muitos acreditam que bolsos vazios, guardar uma rolha da garrafa de champanhe ou três sementes de romã na carteira (esse último no dia 06/01, principalmente, jogando em água corrente no final do ano), trarão o tão sonhado e desejado dinheiro. Li que dar três pulinhos com a referida garrafa na mão sem derramar nenhuma gota e, depois, jogar o resto para trás, sem olhar, de uma vez só, é bom para deixar para trás tudo de ruim. Usar roupas novas, jogar moedas da rua para dentro de casa, beber três goles de vinho, acender velas na praia, abraçar alguém do sexo oposto à meia-noite, jogar rosas na água, fazer barulho à meia-noite, enfim, ter pensamento positivo... Inutilmente, esses gestos prometem afugentar o mau do mundo.

Biblicamente, o cristão é impelido a evitar superstições, simpatias e crendices mediante a atitude de Deus em relação aos adivinhadores, prognosticadores e agoureiros (Dt 18.9-14; Ez 13.23; Mq 5.12), que praticavam abominação ao observar sinais para predizer o futuro e aconselharem os israelitas. Estas “mágicas” devem ser abandonadas por amor a Cristo (At 19.19). Além disso, confiar em superstições é envolver-se com um engano cultural em detrimento a fé real pela qual nos movemos e vivemos (Hc 2.4; Rm 1.17; Gl 3.11). 

O mundo é mais carente a cada dia. Promessas para conquistar um novo amor, prosperidade, fortuna e felicidade a partir de superstições são um convite ao engano. O cristão comprometido com a Palavra de Deus sabe que é o Senhor que poderá suprir cada uma de suas necessidades (Fp 4.9-20). Deus pode fazer-nos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, super abundemos em toda boa obra (2 Co 9.8). Entregue e confie sua vida a Ele, Jesus, não às superstições. Deus é quem te guarda (1 Tm 1.12). Coma e beba para a glória de Deus (1 Co 10.31; Cl 3.17), não por causa das superstições.

Feliz ano novo!
Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES ORGANIZADOS: OS SERAFINS


“Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas...” (Is 6.2).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da organização dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “organização” busca-se compreender o “sistema”, “o modo pela qual se organizam” os seres angelicais, isto é, a estrutura na qual são designados. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que Deus organizou os seres angelicais em classes ou categorias, ordens ou graus, multidões ou companhias, como uma hierarquia. Após os querubins, continuemos o estudo pelos serafins.

Pouco se sabe acerca dos “serafins” (saraph, heb.). O termo hebraico tem origem no verbo “queimar, abrasar”, ação que representou uma de suas atividades na única passagem bíblica que menciona esses seres angelicais: a visão do Trono celestial pelo profeta Isaías (Is 6.2-7). A partir desse texto podemos observar algumas características desses seres.

Serafins são anjos nobres, afinal, estavam por cima daquele que estava assentado do alto e sublime Trono (Is 6.1-2), o Senhor, o próprio Jesus (Jo 12.39-41; Is 6.9-10). Assim como os querubins, os serafins ladeiam o trono do Deus Todo-Poderoso.

Além de serem representados simbolicamente em figura humana, os serafins possuem seis asas que, evidentemente, também representam valores: nem mesmo os serafins resistem ao brilho da glória divina (duas cobriam o rosto), até mesmo os serafins demonstram sua humildade diante do Rei (duas cobriam os seus pés) e também os serafins existem para servir o Todo-Poderoso (com duas voavam), assim como os demais seres angelicais (Hb 1.14).

Assim como os quatro seres viventes da visão joanina (Ap 4.8-9), os serafins ainda comunicaram a santidade de Deus em louvor, pois diziam uns para os outros: “santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). O “clamar” (qara', heb.) refere-se às sonoras proclamações antifônicas que denotam o louvor ao Santíssimo Rei.

Isaías viu as bases do limiar se moverem à voz dos seres que clamavam (Is 6.4). O fato dos alicerces do templo celestial tremerem ao som coro angelical demonstra o poder dos serafins, assim como a casa se encher de fumaça remete à presença do poderoso Deus (Ap 15.8).

A gloriosa visão fez com que o profeta reconhecesse seu pecado (Is 6.5). Ali, um dos serafins tocou a sua boca com uma brasa viva que tirara do altar, uma mensagem de purificação e reconciliação. Os serafins serviram como mensageiros dessa verdade sobre a vida do profeta. Não são eles quem purificam, mas o Senhor que os envia com essa mensagem (Is 43.25). 

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais, numerosos e organizados (querubins, serafins, etc.), sejam eles eleitos ou reprovados.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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OS ANJOS SÃO SERES ORGANIZADOS: OS QUERUBINS


“E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir [chama] de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gn 3.24).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da organização dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “organização” busca-se compreender o “sistema”, “o modo pela qual se organizam” os seres angelicais, isto é, a estrutura na qual são designados. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que Deus organizou os seres angelicais em classes ou categorias, ordens ou graus, multidões ou companhias, como uma hierarquia. Comecemos pelos querubins.

Alguns textos falam de anjos denominados “querubins” (keruwb, heb., cheroubim, gr.). O termo hebraico tem origem no verbo “guardar, cobrir”, o que parece ser sua principal função. Afinal, os querubins foram colocados para guardar o caminho da árvore da vida no Éden (Gn 3.24), guardar o propiciatório e o Santo dos santos, uma decoração simbólica (Ex 25.18-20; Hb 9.5; I Re 6.23-29), e ladear o Trono de Deus (Ap 4.6-8), como guardando o acesso ao Trono.

A partir dessa última leitura bíblica destaco que tanto o discípulo João como o profeta Ezequiel descreveram visões de querubins quase idênticas (Ez 1.1-28; Ez 10.1-22; Ap 4.6-8). Esses seres angelicais, vistos como “quatro seres viventes”, tem sido objeto de bastante de discussão. Deixando de lado a alegoria e verificando-se os textos bíblicos acima, compreenderemos que, apesar de certas diferenças, “os quatro seres viventes” são os Querubins (Ez 10.20, 14; Ez 1.10) ou Serafins, visto que a canção e as asas deles são a canção e as asas dos anjos (Is 6.1-4). Pessoalmente, defendo a tese dos querubins.

De fato, esses anjos são representados como seres vivos em várias formas, descrições simbólicas que revelam o seu extraordinário poder. O sentido é esse: os quatro seres viventes são descritos como leão (por força), novilho (por serviço), homem (inteligência) e águia (rapidez), que são, de fato, as características bíblicas dos anjos. Além disso, os querubins também foram representados, com várias asas e voando com Deus (II Sm 22.11; Sl 18.10; Ez 1.6, 11, 16-17; Ez 10.8; Is 91.1; Sl 104.3) ou como sustentando uma carruagem do Senhor (Ez 9.3). Alguns até sugerem que Satanás seja um querubim caído (Ez 28.14, 16), mas o texto bíblico é discutível.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais, numerosos e organizados, sejam eles eleitos ou reprovados.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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OS ANJOS SÃO SERES NUMEROSOS


“Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia” (Hb 12.22).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da organização dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “organização” busca-se compreender o “sistema”, “o modo pela qual se organizam” os seres angelicais, isto é, a estrutura na qual são designados. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que Deus criou uma numerosa quantidade de anjos e os organizou em classes ou categorias, ordens ou graus, multidões ou companhias, como uma hierarquia. É o que descreve a seguir.

A Bíblia não informa exatamente o número dos anjos que Deus criou (Hb 12.22), mas é certo que o elevado número é definido, pois não se aumenta nem diminui. A palavra “incontáveis” (murias, gr.) do texto de Hebreus não é uma referência a um número infinito, ou uma indicação que o Senhor continua criando anjos, porém, alude a “uma quantidade grandiosa”. Algumas expressões bíblicas expressam justamente essa grande quantidade de seres angelicais criados: miríades, milhares, milícia/exército, legião, legiões, milhões de milhões e milhares de milhares.

A palavra “incontáveis” (murias, gr.) também foi traduzida por “miríades” (Dt 33.2; Dn 7.10; Jd 1.14), podendo se referir a um grupo de dez mil ou a uma multidão incontável. Assim como “incontáveis” não é referência para um número infinito, “vinte mil” não é uma referência ao número finito de anjos (II Re 6.17; Sl 68.17). Basta a leitura dos textos no bojo desse aspecto para compreender esse fato. Ademais, em muitos textos bíblicos os anjos são associados como “exércitos” ou “milícia celestial” (Sl 103.20-21; I Re 22.19; Lc 2.13). Ambas as palavras designam uma tropa militar organizada e grandiosa. Daí nosso Deus ser chamado de o “Senhor dos Exércitos” (I Sm 1.11). Ora, uma outra expressão militar é usada para identificar a quantidade numerosa de anjos: o termo “legião” ou “legiões” (Mc 5.9, 15; Mt 26.53; Sl 148.2). Tendo em vista o grande tamanho de uma legião (entre seis e sete mil soldados), o termo passou a designar uma multidão organizada. Esse grande ajuntamento angelical é visto por João quando o mesmo teve a visão apocalíptica do livro com sete selos, passando a ouvir a voz de “milhões de milhões e milhares de milhares”. Era a voz de muitos anjos (Ap 5.11).

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais e numerosos, sejam eles eleitos ou reprovados.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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A NATUREZA DOS ANJOS



Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais (link de todas as pastorais sobre angelologia).

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres criados, espirituais, incorpóreos, poderosos, imortais, racionais e morais, sejam eles eleitos ou reprovados. Vejamos mais detalhes:

1.1. Os Anjos são Seres Criados. Os anjos não são deuses nem uma raça. São criaturas distintas, seres mais elevados que o homem, razão pela qual também não devem ser interpretados como seres humanos glorificados. Ora, o “exército do céu”, as “legiões celestes” foram criadas pelo Senhor (Sl 148.2, 5; Cl 1.16). Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Saiba mais aqui.

1.2. Os Anjos são Seres Espirituais e Incorpóreos. Extraordinariamente, algumas passagens bíblicas apresentam alguns anjos assumindo uma forma física (Gn 18.2, 8; Gn 19.1, 3; Hb 13.2). Ao que parece, esses acontecimentos se deram para uma melhor compreensão da revelação divina e convencimento da realidade da presença angelical. Entretanto, ordinariamente, a maioria dos textos bíblicos apresenta que os anjos não possuem estrutura física como os homens, pois são incorpóreos; são seres espirituais. Eis os argumentos principais: são chamados de espíritos, de forças espirituais, não têm carne nem ossos, não se casam, muitos cabem num espaço limitado e são invisíveis. Saiba mais aqui.

1.3. Os Anjos são Seres Poderosos e Imortais. Apesar de limitados, os seres angelicais possuem poder e, uma vez criados, viverão para sempre. Saiba mais aqui.

1.4. Os Anjos são Seres Racionais e Morais. Esse duplo aspecto fundamenta a vontade angelical, suas escolhas e decisões, seus propósitos e interesses, suas disposições e aspirações, seja para o bem ou para o mal (abordarei esse último aspecto adiante). Saiba mais aqui.

1.5. Os Anjos são Seres Eleitos ou Reprovados. O entendimento deste último aspecto da natureza angelical envolve o reconhecimento de um estado original beatífico desses seres que, testados, se constituem como eleitos ou reprovados. Como já referido, é aqui que se estabelece a dicotomia santos anjos e demônios, anjos do céu e caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus. É fato que: todos os anjos tiveram um estado original, os anjos que pecaram foram condenados e s anjos que não pecaram são chamados de eleitos. Saiba mais aqui.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais, sejam eles eleitos ou reprovados. Eis a base da natureza angelical.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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OS ANJOS SÃO SERES ELEITOS OU REPROVADOS


Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres eleitos ou reprovados, o que estabelece a dicotomia santos anjos e demônios, anjos do céu e caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Todos os anjos tiveram um estado original. A pouca informação que a Bíblia oferece acerca disso está no Novo Testamento: “e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. (Jd 6). Veja: após descrever a rebeldia do povo que saiu do Egito, Judas narra uma rebeldia angelical diante desse estado. Ora, ao fim de Sua obra criadora, viu Deus tudo quanto fizera e eis que era muito bom. Todos os anjos fazem parte desse contexto beatífico, mas alguns abandonaram esse estado deliberadamente. Assim, como retrata o exegeta Simon Kistemaker, “de posições de autoridade passaram a ser prisioneiros em algemas eternas”.

Os anjos que pecaram foram condenados. O texto acima declarou: “ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Note que aqueles que não “guardaram seu estado original” estão “guardados sob trevas”. Não há fundamentos bíblicos suficientes para definirmos objetivamente a natureza do pecado angelical, apenas indicações gerais (1 Jo 3.8; 1 Tm 3.6; Jo 8.44). Nem Judas, nem Pedro ou outro autor bíblico se preocupam com tais detalhes. Entretanto, os textos bíblicos aclaram a condenação dos anjos que abandonaram o seu domicílio: Deus não os poupou e reservou um lugar para eles (2 Pe 2.4; Ap 20.10; Mt 25.41).

Por outro lado, os anjos que não pecaram são chamados de eleitos. Ora, uma parte dos anjos não se ensoberbeceu, não abandonou seu domicílio e guardou seu estado original. Ao escrever a Timóteo, Paulo faz um apelo em nome de Deus, do Senhor Jesus e “dos anjos eleitos” (1 Tm 5.21). O apóstolo queria que Timóteo manifestasse um testemunho solene diante do Santo Deus (o Supremo Juiz), do Santo Filho (o Advogado fiel) e dos santos anjos (testemunhas do julgamento). Mais uma vez, a citação dos anjos eleitos referenda sua presença no julgamento final (Mt 25.31; Ap 14.10).

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais, sejam eles eleitos ou reprovados.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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OS ANJOS SÃO SERES PODEROSOS E IMORTAIS


“E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos” (Mt 28.2-4).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres poderosos e imortais. Apesar de limitados, os seres angelicais possuem poder e, uma vez criados, vivem para sempre. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Assim como o aspecto do conhecimento, os poderes angelicais podem sobrepujar aos dos homens em muitos sentidos (2 Pe 2.10-11; Hb 2.5-9), ainda que limitados. Entretanto, em Cristo, o poder do homem redimido se revela maior no instante que participam do julgamento dos anjos (1 Co 6.1-3), por exemplo. Na Bíblia, o poder dos seres celestiais é descrito como “valoroso” (Sl 103.20) e derivado do próprio Deus (2 Ts 1.7). Logo, com todo esse poder derivado do próprio Deus executam as suas ordens e lhe obedecem à palavra: “Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus [anjos], que fazeis a sua vontade” (Sl 103.21).

Em termos de eventos que demonstram tal poder, lembremos que as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruída por anjos (Gn 19.13). Igualmente, a densa “pedra do sepulcro” de Jesus foi removida por apenas um anjo (Mt 28.2-4). O livro de Atos revela como um anjo livrou Pedro da prisão (At 5.19-20; At 12.4-10). Até mesmo as figuras apocalípticas reforçam o poder dos anjos (Ap 7.1-3; Ap 14.18; Ap 16.5; Ap 18.1, 21). No fim, serão os anjos enviados para ajuntarem justos e injustos (Mt 24.30-31; Mt 13.39-43), tarefa que, igualmente, exige grande força.

Além de poderosos, os seres angelicais possuem imortalidade. Como já vimos antes, os anjos não são eternos, mas são criaturas imortais, perpétuas: uma vez criados, não estão sujeitos à morte, à dissolução ou aos efeitos do tempo, como o envelhecimento ou enfermidades, pois são imateriais, espirituais: “mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição” (Lc 20.35-36). Lembre-se que imortalidade – ou perpetuidade – é diferente de eternidade. Consequentemente, entendemos que os anjos não são eternos, mas, uma vez criados, viverão para sempre.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos e imortais.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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AS 95 TESES DE LUTERO PARA TWITTER


Em 2017 comemora-se 500 anos da Reforma Protestante, evento histórico marcado pela afixação das 95 teses teológicas que Martinho Lutero gostaria de reformar na igreja de seu tempo. Em comemoração, "twittei" uma tese por dia. Naturalmente, as teses são complexas e maiores que o limite de 140 caracteres do Twitter. Por isso, fiz um resumo ou uma breve explicação do teor de cada uma delas, que passo a transcrever abaixo:

Tese 1: Disse o Senhor e Mestre Jesus: arrependei-vos! Certamente quer que toda a vida dos crentes na terra seja contínuo arrependimento.

Tese 2: E "arrependei-vos" não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, a cargo dos sacerdotes.

Tese 3: O arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

Tese 4: O arrependimento e o pesar, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, até a vida eterna.

Tese 5: O papa não quer ou pode dispensar penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

Tese 6: O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus.

Tese 7: Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

Tese 8: Canones poenitendiales, q não as ordenanças de confessar e expiar, apenas aio impostas aos vivos, não dizem respeito aos moribundos

Tese 9: Eis pq o Espírito Santo nos faz bem pelo papa, excluído este de seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

Tese 10: Procedem mal os sacerdotes que reservam e impõem aos tais moribundos penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

Tese 11: Este joio, o transformar da penitência e satisfação, em penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

Tese 12: Penitência e satisfação eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, para provar a sinceridade do arrependimento e do pesar

Tese 13: Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos p/ o direito canônico, sendo dispensados, com justiça, d sua imposição

Tese 14: Piedade ou amor Imperfeitos daquele q se acha às portas da morte resultam em grande temor; quanto menor o amor, tanto maior o temor

Tese 15: Este temor e espanto tão só bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero

Tese 16: Inferno, purgatório e céu parecem tão diferentes qt o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza

Tese 17: Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

Tese 18: Parece não ter sido provado que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

Tese 19: Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela.

Tese 20: O papa não quer dizer com as palavras “perdão plenário de todas as penas” q todo tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas

Tese 21: Eis pq erram os apregoadores d indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado d todas penas e salvo mediante a indulgência do papa

Tese 22: Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que deviam ter expiado e pago na presente vida.

Tese 23: Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

Tese 24: A maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas

Tese 25: O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório qualquer bispo o tem no seu bispado e paróquia, de modo especial ou em particular.

Tese 26: O papa faz bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui).

Tese 27: Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

Tese 28: No momento em q a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro; a intercessão da Igreja tão só corresponde à vontade d Deus

Tese 29: E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

Tese 30: Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos pecados.

Tese 31: Tão raro como alguém que possui arrependimento verdadeiros, também é aquele q alcança indulgência, sendo poucos os que se encontram

Tese 32: Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

Tese 33: Há q acautelasse muito daqueles q dizem: A indulgência é a mais preciosa graça de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

Tese 34: Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

Tese 35: Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório não necessitam de arrependimento e pesar.

Tese 36: Todo cristão que se arrepende dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão sem breve de indulgência.

Tese 37: Todo cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

Tese 38: Não se deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

Tese 39: É extremamente difícil exaltar diante do povo ao mesmo tempo a riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento.

Tese 40: O verdadeiro arrependimento busca o castigo: mas a indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça quando há oportunidade.

Tese 41: É necessário pregar sobre a indulgência papal para que não se julgue ser a mesma preferível ou melhor às demais obras de caridade.

Tese 42: Deve-se ensinar não ser opinião do papa que a aquisição de indulgência possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

Tese 43: Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

Tese 44: Pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor.

Tese 45: Deve-se ensinar q aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito gasta dinheiro com indulgências provoca a ira de Deus

Tese 46: Deve-se ensinar que, se não houver fartura, fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências

Tese 47: Deve-se ensinar aos cristãos ser a compra de indulgências livre e não ordenada.

Tese 48: Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder + indulgências, + necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro

Tese 49: Deve-se ensinar serem boas as indulgências enquanto o homem não confiar nelas; mas prejudiciais quando se perde o temor de Deus.

Tese 50: Deve-se ensinar q, se o papa tivesse ciência da traficância d indulgências, preferiria ver a cated d S. Pedro ser reduzida a cinzas

Tese 51: Deve-se ensinar aos cristãos que o papa preferiria distribuir o seu dinheiro aos despojados do dinheiro pelos tais apregoadores.

Tese 52: Comete-se injustiça contra a Palavra quando se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

Tese 53: São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

Tese 54: Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

Tese 55: A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado

Tese 56: Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados na Igreja de Cristo.

Tese 57: Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

Tese 58: Tão pouco são os merecimentos d Cristo, porquanto são eficientes na salvação do homem interior e a cruz a morte p/ o homem exterior

Tese 59: São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

Tese 60: Afirmamos, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

Tese 61: Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

Tese 62: O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

Tese 63: Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

Tese 64: Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

Tese 65: Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

Tese 66: Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

Tese 67: As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça assim são consideradas pq lhes trazem grandes proventos.

Tese 68: Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais íntima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

Tese 69: Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência.

Tese 70: Têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários não preguem os seus próprios sonhos.

Tese 71: Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

Tese 72: Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

Tese 73: Da mesma maneira em q o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos q em comércio de indulgências procedem astuciosamente

Tese 74: Muito mais deseja atingir com a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade.

Tese 75: Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, significa ser demente.

Tese 76: Afirmamos, pelo contrário, q as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no q se refere à sua culpa.

Tese 77: Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

Tese 78: O atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, de acordo com o que diz 1Co12

Tese 79: Afirmar ter a cruz de indulgências adornada na igreja com as armas do papa tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

Tese 80: Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

Tese 81: Enaltecer a Indulgência faz com que seja difícil proteger ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

Tese 82: Por que o papa não tira todas as almas do purgatório movido por caridade, em troca do vil dinheiro, logo por motivo insignificante?

Tese 83: Por que continuam as missas em sufrágio das almas e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim, visto ser injusto?

Tese 84: Que piedade é esta que permite a um ímpio resgatar uma alma piedosa por amor ao dinheiro e não por livre amor e sem paga?

Tese 85: Por que os cânones de penitência tornam a ser resgatados mediante dinheiro de indulgência como se continuassem bem vivos, em vigor?

Tese 86: Por que o papa não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

Tese 87: Que parte concede o papa do dinheiro de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

Tese 88: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa concedesse a cada fiel dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

Tese 89: Visto o papa visar mais a salvação das almas do q o dinheiro, por que revoga as indulgências às quais atribuía as mesmas virtudes?

Tese 90: Refutar argumentos dos leigos pela força e não mediante a lógica, significa entregar a Igreja a zombaria e desgraçar os cristãos.

Tese 91: Se a Indulgência fosse apregoada segundo o sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

Tese 92: Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

Tese 93: Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

Tese 94: Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça, Cristo, através do padecimento, morte e inferno.

Tese 95: E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES RACIONAIS E MORAIS


‘‘A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar’’ (1 Pe 1.12).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres racionais e morais. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Os aspectos da racionalidade e da moralidade fundamentam a vontade angelical, suas escolhas e decisões, seus propósitos e interesses, suas disposições e aspirações, seja para o bem, seja para o mal (abordarei esse último aspecto em outro estudo, adiante).

Os anjos são seres racionais porque a Bíblia atribui a eles intelectualidade. Ora, além da capacidade notória da fala, esses seres pessoais possuem sabedoria, razão pela qual Absalão e Davi lhes são comparados: “Dizia mais a tua serva: Seja, agora, a palavra do rei, meu senhor, para a minha tranqüilidade; porque, como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para discernir entre o bem e o mal. O SENHOR, teu Deus, será contigo. 20 Para mudar o aspecto deste caso foi que o teu servo Joabe fez isto. Porém sábio é meu senhor, segundo a sabedoria de um anjo de Deus, para entender tudo o que se passa na terra”. (II Sm 14.17, 20; II Sm 19.27).

Além da sabedoria, os anjos também possuem conhecimento sobre-humano (Ef 3.10), enfim, altíssima compreensão e percepção das realidades espirituais e humanas, como fica notório nas revelações de Deus ao profeta Daniel (Dn 8.16; Dn 9.22; Dn 10.14), ainda que limitadamente (Mt 24.36; 1 Pe 1.12). Essa intelectualidade engloba todos os anjos. O diabo, por exemplo, arma ciladas sagazmente (Ef 6.11; 2 Tm 2.26; Gn 3.1). Portanto, não acreditamos que os seres angelicais sejam meros conceitos abstratos do bem ou mal.

A Bíblia prescreve que os seres angelicais possuem moralidade. Sim, os anjos são seres morais porque as Sagradas Escrituras atribuem a eles um padrão de conduta, ou seja, estão sob obrigação moral na qual foram recompensados pela obediência e punidos pela desobediência: “porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos”... “vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Mc 8.38; Jo 8.44). É o que estabelece a dicotomia santos anjos e pai da mentira/homicida, anjos eleitos e reprovados/caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais e morais. 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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