A BÍBLIA DO “CÉTICO”: dá para acreditar?


Estamos nos últimos dias... Mesmo.
A primeira carta de Paulo a Timóteo lembra-nos que o Espírito, expressamente, diz que nos últimos dias, os homens apostatariam da fé viva e dariam ouvidos a espíritos enganadores, a doutrinas demoníacas (I Tm 4.1).

Indubitavelmente, a hipocrisia, as mentiras, a consciência cauterizada são marcas registradas de uma geração transviada pelo mal. E depois de tantos absurdos teológicos na história eclesiástica, nada pior, do que uma “nova” heresia, uma nova ferramenta virtual para “impedir” o avanço do Reino de Deus, a chamada bíblia do “cético”: dá para acreditar? Conheça este material em http://bibliadocetico.sites.uol.com.br.

Portanto, a palavra do apóstolo Paulo ao jovem pastor Timóteo é extremamente pertinente diante da incredulidade da geração pós-moderna tão claramente perceptível em idéias desprovidas de Deus como esta. Rogo ao Senhor que nos dê, por Sua Palavra, sabedoria e inteligência para batalharmos por Jesus nos preparando melhor para a defesa da fé.

1. O que é a bíblia do “cético”?

A bíblia do cético é um instrumento criado com o intuito de provar que a Bíblia não é um livro santo ou guia moral de Deus, mas sim uma afronta à decência e a dignidade do ser humano.

On line desde junho de 2006, a bíblia do “cético” recebeu mais de vinte e oito mil visitas e tem sido propagada em todos meios possíveis, inclusive site de relacionamentos.

Utilizando-se da versão revista e atualizada de João Ferreira de Almeida, este instrumento procura comentar ceticamente, como notas de rodapé, textos em todos os livros do Antigo e Novo testamentos.

Ainda que o autor levante alguns valores existentes nas Escrituras, com esta bíblia “alterada” ou comentada por ele, pretende “revelar” que crer na Palavra de Deus como a verdade absoluta é subestimar o intelecto humano. Por isso, procura realçar as passagens que acha ser um embaraço aos crentes, acusando que tais porções bíblicas nenhum erudito, em qualquer igreja, grupo de estudo da Bíblia ou escola dominical diria, isto é, tentaria explicar ou mesmo pregar. Para o autor, estas passagens testam as convicções e por isso não são pregadas. Críticas como esta são facilmente encontradas.

2. Críticas com fundamento?

O autor faz críticas verdadeiras e outras que não o são. Isto serve de alerta: “Poucos daqueles que acreditam na Bíblia a leram de fato. Isto pode parecer estranho, mas alguns nunca leram a Bíblia”, diz o autor. Contudo, não cremos que “para proteger a fé na Bíblia, muitos deixam de lê-la, embora poucos admitam isto. Nem mesmo para eles”, palavras do autor cético. Para ele, o crente fiel enfrenta um dilema perturbador ao ler um livro tão complicado como a Bíblia: “a sua fé lhes diz que deveriam ler a Bíblia, mas lendo a Bíblia eles arriscam a sua fé”.

Os pregadores, os quais ele chama de clero, são acusados de manipularem a Bíblia, pregando apenas o que ele chama de “o melhor lado de Deus. Isto significa que só uma fração da Bíblia é citada”.

O cético formulador da bíblia do “cético” “crê” piamente que os crentes estão “presos” a Bíblia porque foram ensinados que ela é inspirada inteiramente, que Deus é seu autor e que cada passagem contém uma mensagem divina que não deve ser alterada ou apagada. Seria isto uma prisão?

Quando o autor afirma que a Bíblia é boa e verdadeira em alguns preceitos acusa os crentes de inventarem a sua própria interpretação - não o que ela verdadeiramente diz. Contrário a esta acusação, a igreja reformada compreende e aplica princípios hermenêuticos indispensáveis à Bíblia, a saber: as Escrituras possuem livre exame, mas não livre interpretação; possui várias aplicações, mas apenas um sentido. O que passar disto é passível de erro.

3. Perfil da bíblia do cético

3.1. Uma bíblia de absurdos

O autor levanta os “absurdos” da bíblia desde Gênesis até o Apocalipse. Exemplificando, comenta Gn 4.16 dizendo: “E saiu Caim de diante da face do SENHOR". Eu acho que Deus não sabe de tudo”; comenta ainda Ap 22.16 afirmando que “este verso se refere a Jesus como "a resplandecente Estrela da manhã", como Lúcifer é em Is 14.12. Então Jesus é Lúcifer?” Absurdos como estes infestam a bíblia do cético com afrontas ao Deus vivo e verdadeiro.

3.2. Uma bíblia de contradições

O autor examina detidamente as conhecidas “contradições” bíblicas em seu material eletrônico de Gênesis a Apocalipse. Pergunta, por exemplo, se Jesus batizou alguém afirmando que em Jo 3.22 a resposta seria sim e em Jo 4.2 não.

3.3. Uma bíblia de injustiças

Assevera-se que Deus revelou sua injustiça de muitas maneiras e em vários momentos da história. O autor diz que Jo 10.8, "todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores", é uma declaração de Jesus que torna todos os profetas, reis, e heróis do Velho Testamento, todos que viveram antes dele, ladrões e salteadores.

3.4. Uma bíblia de linguagem vulgar

Analisando o livro de Nm 11.20, o autor assegura que neste verso existe uma linguagem vulgar que é repugnante, a saber: “Deus promete dar-lhes carne a comer, não por alguns dias, mas durante um mês inteiro, até vos sair pelos narizes".

3.5. Uma bíblia de crueldades e violência

Em uma série de interpretações blasfêmias no livro do profeta Jeremias, o autor declara que Deus admite fazer coisas más às pessoas (Jr 18.11); Julga, ainda, que Jeremias pede a Deus que mate os homens pela espada e as crianças com fome por simples e profunda crueldade (Jr 18.21). Nos comentários de Jr 19, o autor realça que Deus fará tanto mal às pessoas que quem “ouvir falar disto terá formigamento nas orelhas, bem como Deus fará os pais comerem as próprias crianças e as de outros, Deus quebrará aqueles que adoram outros deuses como se eles fossem feitos de barro”. Claro, tudo isto fora do contexto histórico do livro e da justiça de Deus.

3.6. Uma bíblia de falsas profecias e citações

Interpretando Hebreus, o autor diz que em Gênesis (13.15, 15.18 e 17.8) e Êxodo (32.13) Deus promete para Abraão e seus descendentes a terra de Canaã, "para que a possuam por herança eternamente", mas Hb 11.9-13, o autor bíblico admite que a promessa de Deus não foi cumprida. A bíblica do “cético” defende este tipo de afirmação como falsa, uma falsa profecia.

3.7. Uma bíblia intolerante

Deus é intolerante na perspectiva cética desta bíblia virtual. Sabemos que Deus ordenou que Saul matasse todos os amalequitas, tanto homens, como mulheres, crianças, bois, ovelhas, camelos, e jumentos. “Por quê?”, pergunta o cético autor... Porque Deus se lembrou do que Amaleque fez centenas de anos atrás (I Sm 15.2-3). Biblicamente sabemos que Saul matou todos, mas poupou o rei Agague e os melhores animais. Diante disto surge o seguinte comentário: “E Deus ainda estava furioso com Saul por não ter matado a todos como lhe havia dito... Saul é reprovado por Samuel porque "não deste ouvidos à voz do SENHOR" matando a todos os amalequitas... Porque Saul não matou a todos como lhe foi ordenado, Deus muda de idéia quanto a ele ser rei.... Para agradar a Deus, Samuel corta Agague em pedaços "perante o SENHOR" (eu aposto que Deus adorou isto!)”.

3.8. Uma bíblia em defesa da homossexualidade

Além de opinar absurdos descritos anteriormente, o autor alvitra que Rute e Noemi eram lésbicas e Jônatas e Davi eram homossexuais.

3.9. Uma bíblia de bibliografia “não usual”

Ainda que o objetivo do autor se acentue sobre os crentes, para interpretar alguns textos das Escrituras Sagradas, o autor de utiliza de material que não é usual no meio evangélico, como comentários das Testemunhas de Jeová e mórmons, consideravelmente.

3.10. Uma bíblia com símbolo suspeito

Sem querer forçar ou mesmo seguir uma linha dispensacionalista, é interessante notarmos como o símbolo da bíblia do cético nos lembra a junção de três números 6 que forma o conhecido número da besta. Uma coisa é certa, este instrumento está a serviço do mal e precisa ser conhecido por nossos pastores para a apologética cristã e fiel.

4. Como responder a tudo isto?

O ceticismo ganhou um potente e perigoso dardo.

Resta-nos a seguinte questão: haverá este dardo inflamado de nos acertar? Seremos passivos ao sermos acusados de promover explicações e desculpas para os absurdos, crueldades, vulgaridades e insultos que, “julga-se”, enchem a Bíblia? Acharemos “normal” o intento da bíblia do “cético” em ajudar aqueles que acreditam na Bíblia a reconsiderarem honestamente sua convicção? Deixaremos que este instrumento colabore com aqueles com pouco conhecimento da Bíblia a ”resistir à tentação de acreditar” ou mesmo de rejeitá-la?

Para o autor a hora vem, e já chegou, em que o homem deve se libertar e desacreditar na Bíblia, pois crer neste livro como inspirado por Deus é uma afronta à decência e a dignidade do ser humano.

Para nós, crentes fiéis, chegou uma nova oportunidade de, nutridos pela Palavra da fé e pela boa doutrina que seguimos, rejeitar as fábulas profanas convencendo pelas Escrituras e pela iluminação do Espírito Santo, estando preparado para responder a todo aquele que pedir razão da nossa esperança (I Pe 3.15).

Numa época como a nossa nunca foi tão importante crer que toda Escritura é fiel e digna de inteira aceitação (I Tm 4.9).

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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