ALEGORIAS DO ANO NOVO



Juntamente com as comemorações de ano novo emana a esperança de uma etapa melhor em cada pessoa, não importando sua cultura, raça ou sexo. Esse sentimento certamente habitava no povo babilônico há 2.800 a.C. (primeiras referências a uma comemoração de passagem de ano), passando pelo Imperador Júlio César em 46 d.C. até hoje, consolidado na maioria dos países. 

Ano novo, fogos e barulho. Esta é uma conbinação esperada no mundo inteiro. Podemos imaginar os fogos de artifício estourando em meio aos buzinaços dos carros, apitos e gritos de alegria da multidão. Há quem diga que tanto estardalhaço serve para espantar os maus espíritos (como se fosse possível!). Não é atoa que esta festa é considerada a mais barulhenta do mundo. Todavia, a grande verdade é que todos se reúnem para celebrar o novo. 

Ano novo, roupa nova. Tradições fazem parte deste tempo. Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o desejo de renovação em 2011. Este costume é universal e aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova. Muitos optam pelo branco. No final, todos querem celebrar a chegado do novo tempo. 

Em muitas partes do mundo o ano novo será comemorado com esplendor. A Time Square americana, as pessoas nas janelas das casas portuguesas batendo panelas para festejar, a visão deslumbrante dos franceses frente a Torre Eifell, as doze uvas sendo comidas por cada espanhol à meia-noite, a multidão brasileira na praia de Copacabana, etc... todos estarão felizes pelo novo ano que se aproxima. 


A Igreja de Jesus tem motivos muito mais excelentes para celebrar o novo, o ano novo. Valendo-me de uma alegoria bíblica, vejo Deus declarando a importância de um novo ano: “Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano” (Ex 12.2). Janeiro poderá ser o principal mês de sua vida. Geralmente o temos como o mês do descanso. Mas, por que não fazemos dele o mês do concerto com Deus? Do compromisso com Deus? Da obediência a Deus? 

Usando novamente um princípio alegórico, vejo Deus no primeiro mês destacando uma das principais festas de Israel: “no mês primeiro, aos catorze do mês, no crepúsculo da tarde, é a Páscoa do SENHOR” (Lv 23.5). Quem sabe não será neste tempo, no primeiro mês do ano, que você irá refletir sobre a importância da Páscoa, da saída do Egito, das trevas, da morte. O cordeiro foi morto, lembre-se! 

Alegorizando, lembro-me de Jesus declarando: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19). Este pode ser o ano aceitável do Senhor em sua vida; permita que o Espírito Santo de Deus o guie no cumprimento de Sua vontade e Missão. Sim, celebre o ano novo; mas o faça com determinação de mudança genuína. 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

DIZIMO E 13º SALÁRIO

Com o advento do fim de ano a gratificação de Natal, popularmente conhecida como décimo terceiro salário, chega para alegrar as famílias dos trabalhadores de nosso país. Instituído desde 1962, o 13º salário tem sua base de cálculo a remuneração devida no mês de dezembro do ano em curso, considerado o valor bruto sem dedução ou adiantamento. 

O dízimo bíblico é uma contribuição proporcional. Como afirma o Presb. Solano Portela, este é um dos princípios neo-testamentários acerca do dízimo: “Deus espera que a nossa contribuição seja proporcional aos nossos ganhos, ou seja, devemos contribuir proporcionalmente”. 

A partir do texto I Co 16.2-3 (“No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder, conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não façam coletas quando eu chegar”) Portela demonstra o princípio deste ensinamento bíblico. 

É óbvio que Paulo espera uma contribuição sistemática, pois ele diz que ela deveria ser realizada aos domingos (no primeiro dia da semana), que é quando os crentes se reuniam. O versículo é muito rico em instrução, demonstrando até a propriedade de nos reunirmos e cultuarmos ao Senhor aos domingos, contra os ensinamentos dos sabatistas, Testemunhas de Jeová e, agora, até da Valnice Milhomens, de que deveríamos voltar ao Velho Testamento e estarmos guardando o sábado, o sétimo dia da semana. 

Paulo, pela inspiração do Espírito Santo, nos ensina que temos que contribuir conforme Deus permitir que prosperemos, ou seja, conforme os nossos ganhos, e isso inclui o 13º salário. Essa é a grande forma de justiça apontada por Deus: as contribuições devem ser proporcionais, ou seja um percentual dos ganhos. Todos contribuem igualmente, não em valor, mas em percentual. 

Mais uma vez, o irmão pode querer inventar um percentual qualquer. Admito até que isso pudesse acontecer se nunca tivesse tido acesso ao restante da Bíblia, mas todos nós sabemos qual foi o percentual que o próprio Deus estabeleceu ao seu povo: dez por cento dos nossos ganhos! Isso, para mim me parece satisfatório e óbvio. Não preciso sair procurando por outro meio e forma, principalmente porque se assim eu o fizer posso até dizer, eu contribuo sistematicamente com o percentual que eu escolhi, mas nunca vou puder dizer que o faço em paridade e justiça com os outros irmãos, pois quem garante que o percentual dele é igual ao meu? Eu destruiria com isso, o próprio ensinamento da proporcionalidade que Deus nos ensina através de Paulo. Porque não seguir a forma, o planejamento e a proporção que já havia sido determinada por Deus? 

Infelizmente há cristãos que não são dizimistas fiéis. Não servem de modelo para o povo. Não podem ser liderança. Quem sabe a bênção do 13º salário não será justamente o que te ajudará a ser fiel com o Senhor?! Acerte sua vida com Deus! Seja Fiel! Seja dizimista!

Rev. Ângelo Vieira da Silva
adaptado de um artigo do Presb. Solano Portela

DIA NACIONAL DA FAMÍLIA – 08/12



Família... Como está minha família? Será que está estruturada? E os problemas que tenho com meu cônjuge? E meus filhos? Eles estão rebeldes? Hoje o tempo é tão diferente, não é...? Talvez você pense: há se fosse no meu tempo.... As coisas não eram assim quando eu era da sua idade...etc. 

Antes de qualquer coisa, procure entender uma verdade: Deus se importa com sua família, com seus problemas, seus conflitos, mas também com suas alegrias e seus agrados. Desde o livro do início, Gênesis, Deus inicia a lição preciosa da família. No primeiro livro de Moisés Deus vê algo que não é bom em seu paraíso: a solidão, a solidão de Adão. É o próprio Senhor que diz não ser bom que o homem esteja só (Gn 2.18). Mas o que não era bom Deus o torna bom, aliás, maravilhoso, belo e – porque não dizer – perfeito... O pesado sono que recai sobre Adão o levaria a contemplar um sonho real ao acordar... Deus faz sua auxiliadora, Eva, costela, mulher, varoa, idônea, vida. Esta, afinal, é osso dos ossos de Adão e carne de sua carne. Deus cria a família. Esta é uma família abençoada por Deus. 

Certamente em algum momento você já leu o Sl 127. Quero que você saiba que uma família abençoada por Deus é uma família consagrada a Ele. Assim, gostaria de enfatizar algumas lições apenas no verso um deste trecho das Sagradas Escrituras. O salmista entende a natureza da família e seu propósito. Para ele, uma família consagrada a Deus possui algumas características pertinentes. São elas: 

1) A FAMÍLIA É CRISTOCÊNTRICA:

O Sl 127.1 diz: “Se o Senhor Não edificar a casa...”. Hodiernamente nossos valores têm se tornado valores que não glorificam ao Senhor. Isto ocorre porque não estão cristocentralizados. Mas, o que quer dizer isto? A palavra “cristocêntrica” tem duas partes: Cristo (o mesmo que Messias, o ungido, nosso Senhor) e cêntrica (que quer dizer estar no centro das atenções, ser o alvo). O salmista entendia que se o Senhor não edificasse sua casa de nada adiantaria todo o seu labor, de nada adiantaria todo o seu dinheiro; ele sabia que Deus deve estar no centro. Deus deve ser amado acima de todas as coisas, inclusive da família. Lembre-se: a real felicidade, aquela que só Deus pode conceder, são para os seus escolhidos, que vivem, confiam nEle, e, acima de tudo, O colocam como centro em seu lares. 

2) A FAMÍLIA PRECISA DE COMUNHÃO:

O texto continua e salienta: “... em vão trabalham os que a edificam”. Trabalhar... Trabalhar... Trabalhar. Este é o lema de muitos lares cristãos, mas, que tristeza. O salmista usa o verbo trabalhar e edificar no plural representando a idéia de mais de uma pessoa, ou mais de uma família. O importante, porém, é entender que a família é um corpo onde todos devem viver o mesmo ideal: glorificar a Deus. Mas, como glorificar a Deus? Quando a família vai mal, a igreja vai mal. Quando a família vai bem, a igreja vai bem. Tudo isto porque a família vem de Deus (sua natureza) para glorificar a Deus (seu propósito). Daí a necessidade da comunhão, comunhão com toda família. Uma família que não vive a comunhão não tem experimentado uma real comunhão com Deus, ou seja, a paz com Deus, que excede todo conhecimento. 

Minha oração é que o Deus da Graça seja o centro de nossos lares a cada dia e que uma comunhão genuína, sincera e ininterrupta com Deus possa ser conseguida, através de uma busca mais intensa do poder de Deus. 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

POR QUE EU ESTARIA TRISTE?


“Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia?” (Sl 13.2). 

S. I. McMillen afirma que a ciência médica reconhece que emoções como a tristeza, medo, inveja, ressentimento e ódio são responsáveis pela maioria de nossas doenças. Os cálculos variam de 60% a quase 100%. 

A melancolia humana pode ter muitos fundamentos em seu próprio escopo, porém, o que dirá Deus da falta de alegria em sua criação? Por que vemo-nos num estado de tristeza constante ou alternada quando há tantos motivos para nos alegrar na presença de Deus? O que nos falta? Cristo não é suficiente? 

O sentimento de tristeza que às vezes percebemos é a agonia do atribulado, que consome todo o seu ser (Sl 31.9). Seu coração quer gritar, uivar pela angústia de espírito (Is 65.14). Parece que não há saída, nem alguém que estenda a mão; é a solidão, emergindo do porão da alma para o coração hesitante. Os olhos vertem lágrimas (Sl 119.28) diante dos laços que nos prendem (Sl 116.3). “Oh! Se eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O meu coração desfalece dentro de mim” (Jr 8.18). 

A Palavra de Deus expressa algumas circunstâncias que concebem a tristeza em nossos corações. Porventura, não seria a principal delas o peso dos pecados? As Escrituras são precisas neste ponto: “suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). Davi compreendia bem a pressão dos pecados sobre seu corpo: “enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (Sl 32.3). 

Creio que podemos abordar dois tipos de tristeza por causa dos pecados: uma é salvadora, a outra condenadora. O apóstolo Paulo declara que “a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (II Co 7.10). Em qual destas nos enquadramos? Qual é a realidade espiritual de nossa tristeza? Espero que o arrependimento seja uma fonte perene, na qual as águas de uma tristeza santa estejam sempre fluindo em nossas vidas redimidas (Thomas Brooks). 

John Owen disse certa vez que “o pecado deve ser ocasião para grande tristeza, quando não há tristeza em pecar”. Se o pecado não me incomoda mais, se não me entristeço ou reconheço minhas mazelas, aqui está a pior circunstância de nossa tristeza. Todavia, glória a Deus nas alturas, porque Jesus disse: “em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria” (Jo 16.20). 

Rev. Ângelo Vieira da Silva
PRINCIPAIS PROPOSTAS DOS PRESIDENCIÁVEIS

PRINCIPAIS PROPOSTAS DOS PRESIDENCIÁVEIS

Hoje registro a última pastoral sobre as eleições 2010. Desejo ver a Igreja exercer sua cidadania conscientemente. É bem verdade que muitos sequer reservaram tempo estudando as propostas apresentadas pela Dilma e pelo Serra. Por isso, apresento as principais metas dos candidatos à presidência sobre temas essenciais na discussão política democrática. Leia, medite e vote bem no dia 31!

EDUCAÇÃO
Dilma
Erradicar o analfabetismo do Brasil; Criação do Sistema Nacional Articulado de Educação;
Serra
Investir na infra-estrutura das escolas básicas públicas; Criação do PROTEC; Abertura de novas ETECs/FATECs;

EMPREGOS
Dilma
Manutenção da política econômica do governo Lula; Realizar uma reforma tributária;
Serra
Ampliação de Escolas Técnicas; Melhora da infra-estrutura dos serviços brasileiros;

PROGRAMAS SOCIAIS
Dilma
Ampliação e consolidação do Bolsa Família e o reforço institucional para o combate à fome;
Serra
Continuidade e ampliação do Programa Bolsa Família, cri-ando subsídios para jovens em cursos profissionalizantes;

SAÚDE
Dilma
Ampliação do Programa Saúde da Família e das UPAs, Unidades de Pronto Atendimento;
Serra
Criação de clínicas de tratamento de usuários de drogas; Entregar 150 Ambulatórios Médicos de Especialidades;

SEGURANÇA
Dilma
Ampliação do Programa Nacional de Segurança Pública; Propõe Fundo Constitucional de Segurança Pública, subsidio de salário para os policiais civis e militares;
Serra
Criação do Ministério da Segurança Pública; Adotar vigilância eletrônica nos presídios; Criar a Força Nacional de Combate a Catástrofes; Criar Banco Nacional de Dados;


No próximo domingo (31/10) não se esqueça que, ao digitar o número de seu candidato, na tela, aparecerão foto, número, nome e sigla do partido do candidato. Se as informações estiverem corretas, basta apertar a tecla verde CONFIRMA.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

ABORTO, PNDH3 E UNIÃO HOMOSSEXUAL: O QUE PENSAM OS CANDITADOS À PRESIDÊNCIA?

Não há dúvidas que o processo democrático nas eleições deste ano vem nos surpreendendo. Os debates e entrevistas dos candidatos estão acirrados e vibrantes. Diante das muitas propostas entorno ao meio ambiente, saúde, habitação, segurança, educação e infra-estrutura, alguns assuntos permanecem na pauta do cidadão cristão consciente, como a legalização do aborto, o Programa Nacional de Direitos Humanos (o PNDH3) e a união homossexual com certos privilégios descritos no Projeto de Lei na Câmara 122/2006. 

Reuni nesta pastoral alguns pensamentos e frases dos candidatos em suas entrevistas sobre tais temas disponíveis na internet. As opiniões dos candidatos estão em ordem alfabética e não por inclinação política. Leia, aprecie e continue se preparando para votar com consciência. 

1. Entrevistas da Candidata Dilma, do PT (13): Poucos se recordam e muitos já viram o vídeo disponível na internet em que a candidata petista dá a entender em 2009 ser favorável à descriminalização do aborto, atualmente permitido em casos de estupro e de risco à vida da mãe. A candidata, naquela oportunidade, voltou atrás em seu discurso. Hoje, em meio à polêmica sobre o aborto, a Dilma Rousseff garantiu a líderes evangélicos na última quarta-feira que, se eleita, não enviará ao Congresso projeto prevendo a legalização da interrupção da gravidez. Ela se comprometeu ainda, segundo as autoridades religiosas, que não vai propor a regulamentação para o casamento entre homossexuais. De acordo com os presentes naquele dia, a candidata divulgaria um documento até ontem, uma carta, se comprometendo com essas questões. Quanto ao PNDH3, o projeto é do PT. Outras propostas de Dilma podem ser acessadas no portal www.dilma13.com.br 

2. Entrevistas do Candidato Serra, do PSDB (45): Na entrevista coletiva da manhã do dia 11/10, Serra discorreu sobre o Plano Nacional dos Direitos Humanos (o PNDH3). Para ele o programa é uma "coleção de absurdos". Lembrou que entre as diretrizes do plano está prevista a retirada de imagens religiosas em repartições públicas: "Eu não quero retirar o Cristo Redentor do Rio", disse, em tom de brincadeira. "Se tiver imagens, por que tirar?", questionou. Também afirmou que o PNDH3 ameaça a liberdade de imprensa. A análise do PNDH3 foi motivo para nova reflexão do tucano sobre o aborto. "Se o aborto fizer parte dos direitos humanos, logo quem for contra estará transgredindo os direitos humanos", disse. Em entrevista, o candidato falou que é a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo. “É uma questão que está ligada às igrejas. Agora, a união em torno dos direitos civis já existe inclusive na prática pelo Judiciário e eu sou a favor para efeito de direitos, união civil, nesse sentido. Outra coisa é casamento, que é coisa que tem componente religioso, das igrejas. Aí, cada igreja define sua posição”, comenta. As demais propostas de Serra podem ser vistas no site www.serra45.com.br 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

DIA NACIONAL DA CRIANÇA PRESBITERIANA

"Batalhando por Cristo, Lutando com amor, Sou um Soldado de nosso Senhor”, este é o lema da União de Crianças Presbiterianas, a UCP. Para estas e para os irmãos (as) que se dedicam no ministério infantil, hoje é um momento muito especial, pois dia 12/10 comemoramos o Dia Nacional da Criança Presbiteriana. Creio que será muito relevante destacarmos como este movimento se iniciou em nossa Igreja.

Entre 1940-1942 na Igreja Presbiteriana de S. José del Rei/MG havia um trabalho diferenciado na igreja denominado Liga Juvenil. Nas tardes de sábado, na casa da diretora (ao lado da igreja), Dna. Lavínia, senhora consagrada, animada e dedicada, reuniam-se os sócios desta Liga. Conta-nos a história que, na sua simplicidade, com poucos e precários recursos, Dona Lavínia proporcionava horas felizes e gostosas às crianças, com brincadeiras, estudos, trabalhos e deliciosos lanches. Havia reuniões especiais, festivas com vários programas. Anos mais tarde, outra Liga Juvenil fora criada, agora na 1ª IPB de Niterói. 

Ainda que não se saiba como e quando se iniciou a Liga Juvenil na Igreja Presbiteriana do Brasil, foi no ano de 1980, numa reunião realizada em São Paulo que fora proposto trocar o nome da Liga Juvenil para União de Crianças Presbiterianas, a UCP. O trabalho de crianças, até então, era vinculado ao trabalho das senhoras, com a direção da Secretaria Nacional de SAFs. Pouco depois (1982), foi criada a Secretaria de Infância das UCPs. A Tia Custódia, uma das pioneiras neste ministério dentro da IPB, disse: “Pelas misericórdias do Senhor, durante anos, tendo estado à frente deste trabalho, aqui na minha igreja. Tem sido uma grande bênção na minha vida, muito aprendi e muito me edifiquei ensinando as crianças. O meu grande desejo é que em todas as nossas Igrejas haja UCPs organizadas, ativas e que trabalhem com muito dinamismo preparando as nossas crianças na vida cristã levando-as a seguir e servir ao Senhor Jesus com muito amor. O trabalho é realmente maravilhoso. Que Deus, o nosso Pai, nos abençoe e desperte as nossas igrejas para este tão importante trabalho”.

Pela sua excepcionalidade, não há uma Confederação Nacional de UCPs, razão pela qual não haver lema e nem tema para o quadriênio (2010-2014). Todavia, estima-se, conforme dados da SE/SC, que 78.000 crianças sejam sócias da UCP. Para participar desta importante Sociedade, a criança deve ter entre 06 e 11 anos. Seu símbolo oficial está logo acima.

Parabéns às nossas queridas Crianças Presbiterianas e aos irmãos (as) que se dedicam ministeralmente para o crescimento delas! Como disse nosso Senhor em Mc 10.14 – “Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

A IGREJA E A COMPRA DE VOTOS

A palavra corrupção (e derivados) revela-se mais de trinta vezes na Bíblia. Ela traz consigo o conceito vetero-testamentário de depravação e apodrecimento aplicados às várias esferas da vida, como impureza sexual e religiosa. No Novo Testamento a corrupção (gr. phthora) também é aplicada num sentido ético descrevendo decadência moral. Leia Deuteronômio 9.12. Eis um exemplo de decadência moral: “E o Senhor me disse: Levanta-te, desce depressa daqui, porque o teu povo, que tiraste do Egito, já se corrompeu; cedo se desviou do caminho que lhe ordenei; imagem fundida para si fez”. Não se deixe corromper!


A verdade absoluta é que a política está maculada pelos constantes alardes de corrupção que se ouvem dos quatro cantos do país. Nós, como Igreja, precisamos tomar muito cuidado para não nos corrompermos neste período político. Não podemos permitir que algumas práticas pecaminosas sejam aceitas. Uma delas, certamente, é a compra de votos. Você sabe o que quer dizer isto?


A compra de votos é o ato do candidato que propõe ao eleitor um bem ou vantagem em troca do voto. De acordo com a Lei, é proibido a qualquer candidato, "doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor, com a finalidade de obter-lhe o voto, bens ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública".


Se nossa lei secular já prescreve crime na compra de votos, imagine a Palavra de Deus. Sim, é verdade que a Bíblia não fala de compra de votos, mas fala de princípios que devem ser observados. Lembre-se de textos como 1ª Coríntios 15.33, Efésios 5.6 e Jó 20.18b. A barganha sutil e vã da compra de votos não é agradável aos olhos de Deus. Portanto, cuidado! Faça-se a seguinte pergunta: como os candidatos geralmente compram os votos? “Puramente”, dentre as práticas mais comuns, podemos citar:

Compra de votos diretamente com dinheiro
Promessa de emprego
Distribuição de lotes e materiais de construção como cimento e tijolos
Doação de cestas básicas
Consultas médicas, exames de laboratórios gratuitos
Atendimento hospitalar e doação de remédios necessários
Distribuição de dentaduras, óculos, muletas
Ligaduras, cirurgias
Auxílio para obtenção de documentos
Tíquetes de leite
Uniformes e materiais para jogos e times
Cadeiras de rodas
Passagens e transportes, viagens e passeios
Financiamento de som para festas
Caixões de defunto, transporte para enterros
Remoções grátis em ambulâncias


Atenção! Qualquer um dos exemplos citados constitui-se em uma tentativa de compra de voto. Por isso, deve ser denunciado, mesmo que o candidato alegue que não teve a intenção de comprar o seu voto. Em ano eleitoral, a intenção é muito clara, ou seja, obter o voto. Contudo, caro (a) irmão (a), não confunda ajuda com compra de votos. Se alguém desejar comprar seu voto, você saberá... Não se corrompa! Valorize seu direito adquirido de votar! Nossa Pátria é democrática. Graças a Deus!

Rev. Ângelo Vieira da Silva

REFLEXÕES NO DIÁRIO DE SIMONTON

É interessante notar o fato de que no século XIX a prática de se fazer diários, com anotações de acontecimentos do dia-a-dia, estava muito difundida no hemisfério norte. Estes documentos são de grande valia para uma reconstrução histórica. Só que os mesmos são textos intensamente pessoais, e não formam escritos para serem publicados, sendo, assim, marcados com uma franqueza que não se vê em outros escritos.

Em se tratando do diário (duas edições na língua portuguesa) escrito por Simonton (primeiro missionário presbiteriano no Brasil), percebemos que o mesmo foi escrito com uma linguagem elevada e respeitosa, o que não é muito comum neste tipo de obra. Ele cobre um período de quatorze anos da vida do autor, que começou a escrevê-lo quando tinha dezenove anos de idade, até praticamente o penúltimo ano de sua vida. Como descreve o Dr. Alderi (historiador da IPB), Simonton “registrou observações perspicazes sobre uma variedade de assuntos, desde suas próprias lutas interiores nas áreas vocacional e sentimental, até suas reflexões sobre temas candentes da época, como a escravidão, os problemas políticos e as tensões entre o norte e o sul do país”. Sei que muitos ainda não tiveram o privilégio de ler este diário, mas gostaria de compartilhar algumas observações pessoais:

1. Simonton encerra o diário fazendo um retrospecto de sua vida com um resultado: sua condenação. Ele entendeu que realizou seu trabalho da melhor maneira possível, mas pergunta: “Mas, será que progredi na direção do céu”? Talvez esta seja a grande questão que precisamos fazer como igreja, diante da obra para qual fomos chamados. Estamos preocupados com o que Deus tem achado de nosso labor? Ou fazemos para os homens? 

2. Simonton se compara ao publicano e clama: “Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Certamente esta precisa ser a nossa oração. Assim como Simonton dependeu de Deus também o precisamos. Sem O Senhor nada podemos fazer.

3. Simonton fala de algo muito comum em nossos dias: o ativismo. Mostra seus perigos: “A própria pressão e atividade da vida exterior têm empanado minha comunhão com aquele para quem esses mesmos serviços são feitos. Quantas vezes minhas devoções são formais e apressadas ou perturbadas por pensamentos de planos para o dia!” O que tem tomado conta de nossas vidas: o ativismo ou a devoção? O que será que ocupará nossos ministérios na igreja?

4. Simonton mostra que pecados o atormentam: “Pecados muitas vezes confessados e lamentados tem mantido seu poder sobre mim”. Será que não vivemos algo semelhante? Busquemos a força em Deus assim como Simonton.

5. Simonton tem um pedido genuíno: “Quem me dera um batismo de fogo que consumisse minhas escórias, quem me dera um coração totalmente de Cristo”. Desejemos ardentemente sermos revestidos com o poder do alto para a realização desta grande obra assim como Simonton.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

O NASCIMENTO DE UMA IGREJA: PRIMEIRA IPB DE RESPLENDOR


Era 1915 e residia num lugar denominado Pedra da Vaca, hoje Vala do Rufino, o Sr. Sergio Lopes, que se convertera na Igreja Presbiteriana de Carangola/MG. Já na cidade de Mutum, por falta de trabalho presbiteriano, recebera o batismo na Igreja Batista daquela cidade. Da Pedra da Vaca vinha constantemente à Resplendor, onde encontrou um crente Batista que residia na turma da E.F. próximo a Santaninha. Na residência desse crente dirigiu o primeiro culto evangélico em Resplendor no lugar denominado Caixa D' Água. Naquele ano o Rev. Otávio de Souza, Pastor da Igreja de Figueirinha do Rio Doce, atendendo à insistência de D. Maricota, membro da Igreja de Figueirinha do Rio Doce, veio a Resplendor a fim de evangelizar o Sr. Ricardino de Castro, vulgarmente conhecido por Sr. Bote. O Rev. Otavio de Souza foi portador de uma longa carta escrita por D. Maricota dirigida ao seu irmão, na qual pedia hospedagem ao Rev. Otavio e o apoiasse em seus trabalhos na cidade de Resplendor. Após ler a carta, disse o sr. Bote ao Rev. Otavio: "Reverendo, sua vinda aqui sem duvida alguma é motivo de alegria para mim, e tenho o máximo prazer em conceder-lhe hospedagem, mas somente hospedagem; pois sou atualmente o sacristão da Igreja Romana que fica um pouco acima de Resplendor" (Santaninha). 

O Rev. Otavio procurou uma sala onde realizaria os trabalhos, fez ele mesmo os convites para o culto à noite (procurando as pessoas de maior influência no lugar, como o Cel. João Marcelino) e colheu os resultados, pois o culto foi muito concorrido, a salinha encheu-se e na rua o número de assistentes foi muito grande. Sobre aquele dia escrevera o Rev. Otávio: "Em vista da ignorância, fui obrigado a explicar a razão do culto espiritual e a maneira de adorar a Deus com louvores, orações e leitura das Sagradas Escrituras. Todas as explicações foram dadas com a maior clareza possível a fim de alcançar a compreensão do auditório. Desde o começo do culto, entreguei minha alma a Deus, pois o murmúrio que eu ouvia da assistência de fora era que uma bala custava apenas um tostão e por este preço daria cabo do agitador de religião". O primeiro culto de nossa igreja foi realizado na casa do Sr. Manoel de Assis, vulgarmente conhecido por Neca Padeiro, em frente ao Templo atual, hoje ocupado pela Casa Guerra. Até mesmo o Cel. João converteu-se.

Foi o Cel. João que passou a cooperar com o trabalho Presbiteriano, concedendo licença para ocupar a sala da escola da sua propriedade, hoje de propriedade do Sr. Josefino Mendes (06/1917). Os primeiros assistentes do trabalho foram as famílias do Sr. Sergio Lopes e Gomes. A Congregação funcionou nessa casa até a inauguração do Templo em 1920. A 1ª IPB Resplendor foi organizada em 02/07/1922 pelo Presbitério Espírito Santo-Minas, representado pelo Rev. Juvenal Vieira Batista e o Presb. Manoel Francisco Santos. Foram arrolados naquela ocasião 77 irmãos em Cristo e desde aquele dia perseveramos como a Igreja Primitiva.

Agradecemos a todos os irmãos que contribuíram para que o histórico da 1ª Igreja Presbiteriana de Resplendor estivesse rico em detalhes de uma história que, sem dúvida alguma, Deus construiu por meio de homens e mulheres santos.

De acordo os documentos que dispomos, a Igreja Presbiteriana de Resplendor foi organizada pelo Presbitério Espírito Santo-Minas em 02 de julho de 1922. Foram nomeados para este ato o Rev. Juvenal Vieira Batista e o Presbítero Manoel Francisco Santos, ambos pertencentes a Igreja Presbiteriana de Figueira do Rio Doce. Naquele dia alegre foram arrolados 77 irmãos. 

1. PASTORES:

Durante 88 anos de história organizada vários homens de Deus pastorearam a igreja juntamente com o Conselho. Os pastores efetivos e eleitos são: Rev. Juvenal Vieira Batista (1922); Rev. Mario Neves (1923); Rev. Apolinário Satler (1924-1925); O livro de atas que descreve o período entre 1926 a 1932 perdeu-se. Rev. Sinval Filgueira de Morais (1933-1951); Rev. Josias Rosa (1952); Rev. Carlos Chagas (1953-1954); Rev. Josias Rosa (1955-1956); Rev. Antônio Nunes de Carvalho (1957); Rev. Dr. Paulo Santos Ferreira (1958-1959); Rev. Samuel José de Paula (1960). Rev. Abel José de Paula (1961-1963); Rev. Ely de Souza Borges (1964-1965); Rev. Salvador Gomes Ganhoto (1966-1973); Rev. Manoel Lopes da Silva (1974); Rev. Levi Gomes Santana (1975-1977); Rev. Samuel Mendes de Morais (1978-1979); Rev. Josué Dias de Paula Madruga (1981); Rev. Jurandir Storck (1982-1986); Rev. Darcílio Eduardo César (1987); Rev. Josué Dias de Paula Madruga (1988-1989); Rev. Manoel Lopes da Silva (1989); Rev. Jackson Lombard Garcês (1991-1995); Rev. Alberto Ferreira Celestino (1996); Rev. José Carlos Barbosa e Rev. Alberto Ferreira Celestino (1997); Rev. João Batista Landim (1998-2009); Rev. Ângelo Vieira da Silva (2010-2016).

2. PRESBÍTEROS:

Desde a ordenação e investidura dos primeiros presbíteros (João José Eller; João José de Paula; Sebastião Alves Ferreira), Deus levantou muitos irmãos que auxiliaram os pastores na administração da Igreja. Hoje, compõe o Conselho os presbíteros Ilson Velasco de Souza (Vice-presidente), Armando Mutz (1º secretário), Ademilson R. Alves (2º secretário), Hélio Corrêa da Silva, José Francisco Velasco de Souza, Reginaldo F. Gomes, Robson Scherre Bonisson e Trazilbo José de Paula. Honra-nos a destra de companhia dos Presbíteros Eméritos Airton Bonisson e Vaceny C. de Andrade.

3. DIÁCONOS:

A Junta Diaconal de nossa igreja iniciou suas atividades com o serviço dos irmãos ManoeI Luiz de Magalhães, Antônio José de Paula e Salustiano José de Paula. Atualmente, compõem o quadro de Diáconos em nossa igreja os irmãos Cássio R. L. de Oliveira (Presidente), Fábio Alves Martins (Vice-Presidente), Samuel Preisisgke de Araújo (1º secretário), Airton Bonisson Júnior e Luiz Mariano Neto.

4. MEMBROS FUNDADORES:



Na organização de nossa igreja foram arrolados como membros seguintes irmãos (as): ManoeI Bandeira; João José De Paula; José Antônio Da Silva; Alcides De Souza Lopes; Antônio José De Paula; Sebastião Alves Ferreira; Eugênio Storck; José Soares Da Silva; Salustiano José De Paula; Manoel Luiz De Magalhães; Francisco José Bento; Francisco Alves; Pedra Pereira Gomes; Joaquim Gomes; Antônio Pereira Gomes; João Marcelino De Oliveira; Joaquim Pereira Sodré; Prudenciano Sodré; Raimundo José Alves; Aristides Bragança; Joaquim Antônio Da Silva; João Marques; João José Eller; Sózimo Eller; Júlio Eller; Ludorico Eller; Júlio Eller; Ludorico Eller; Alfredo Gomes; Eulália De Paula; Maria André; Salustiana Custódio Da Silveira; Francisca Magdalena Gomes; Ana Maria Lopes; Leonor Silva; Silvia Crescência Dutra; Julia Antônia Da Silva; Izabel Storck; Pantida Storck; Maria Custódia De Paula; Maria Izabel De Magalhães; Clara Shcomaker; Dorvina De Oliveira; Lucília De Oliveira; Larcy De Vargas Paula; Ana Clara Do Espírito Santo; Maria Gomes; Maria Magdalena Gomes; Eudorica G.; Maria Píres; Carolina Gomes; Blandina Alves; Darcília Sodré; Georgina Bragança; Jovita Augusta Da Silva; Malvina Augusta De Medeiros; Laurinda Marques; Georgina Cardoso Eller; Maria Louback Eller; Eulália Eller; Antônio Leandro De Faria; Conceição França Da Silva; Paula França Da Silva; Sebastião Lopes; Minervina Lopes; Manoel Sant'ana Filho; Fronteira Maria Teodoro; Esmeralina Emiliana De Faria; José Francisco De Souza; Cecília Lopes; ManoeI Moreira Maia; José GabrieI Henriques; Higino Alves Berbert; Justiniano José Alberto; Evangelina Maria De Jesus; Maria Joaquina Da Conceição. 

Veja Algumas fotos antigas:









O CONCEITO DA VINGANÇA DIVINA



Deus se vinga das pessoas? Alguns respondem que sim, rememorando o Deus de guerra descrito no Antigo Testamento. Outros afirmam que não, pois o Deus do Novo Testamento revelado em Jesus é amor. Neste último caso chegam afirmar que não estamos mais debaixo daquela antiga aliança (do Deus guerreador), mas sim da nova aliança por um mediador misericordioso.

É importante dizer que não há esta dicotomia na revelação de Deus em cada um dos testamentos. Nosso Deus é Amor e é Justiça, é de Guerra e é de Paz, é Misericordioso e Vingador. Ora Deus se revela de uma forma, ora de outra, em cada situação e contexto. Logo, o conceito da vingança divina aparece em ambos testamentos e precisa ser explicado. Afinal, Deus se vinga das pessoas?

A partir de Dt 32.35 (“A mim me pertence a vingança, a retribuição, a seu tempo, quando resvalar o seu pé; porque o dia da sua calamidade está próximo, e o seu destino se apressa em chegar”) o calvinista Jonathan Edwards pregou seu grande sermão intitulado “pecadores nas mãos de um Deus irado” em 08/07/1741. Edwards indicou neste versículo bíblico a vingança divina sobre os pecaminosos e descrentes israelitas, que eram o povo visível de Deus, e que viviam sob os meios de graça; mas que, não obstante todas as maravilhas das obras de Deus para com eles, permaneciam faltos de conselho, não havendo neles entendimento (Dt 32.28).

O conceito da vingaça divina está em muitos outros textos:

Sl 94.1 – “Ó SENHOR, Deus das vinganças, ó Deus das vinganças, resplandece”.

Is 61.2 – “a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram”

Is 63.4 – “Porque o dia da vingança me estava no coração, e o ano dos meus redimidos é chegado”.

Nm 1.2 – “O SENHOR é Deus zeloso e vingador, o SENHOR é vingador e cheio de ira; o SENHOR toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos”.

As referências bíblicas acima citadas demonstram a veracidade de que Deus se vinga do homem. Contudo, é importante entendermos o sentido de tal vingança. Biblicamente, tanto no hebraico (naqan) como no grego (ekdikeo), a vingança divina é o ato de punir alguém pelo direito divino. Logo, a vingança divina é sua punição por causa dos pecados dos homens. Deus executa sua justiça sobre o pecado. Lembre-se de II Co 5.10: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”.

Neste sentido o Deus trino de vinga com justiça e terror. Portanto, “não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19 ).

Rev. Ângelo Vieira da Silva

PULSEIRINHAS DO SEXO



Recentemente fui informado acerca das chamadas PULSERINHAS DO SEXO, uma moda entre os adolescentes. Para alguns é simplesmente mais um incremento do visual, uma simples e inocente colorida pulseira de plástico. Mas, na realidade, é um código para experiências sexuais, onde cada cor significa um grau de intimidade, desde um abraço até o sexo propriamente dito. Algumas informações sobre os estratagemas do mundo anti-Deus que me surpreendem, por tamanha criatividade e sutileza que adentram em nossas igrejas.

Vários canais de televisão e internet noticiaram que as pulseirinhas de silicone, agora promovidas a pulseiras do sexo, geraram o maior burburinho desde que começaram a aparecer. Alguns nem imaginam do que se trata. A moda, iniciada na Inglaterra, se disseminou pelo mundo, principalmente via internet, e é febre também dentro das escolas. Você já ouviu falar do SNAP? Muitos nunca ouviram, mas foi um jogo muito popular na década de 80 e que agora está retornando. Câmaras de vereadores de vários locais do Brasil estão proibindo o uso de tais pulseiras orientando que quem usa as pulseiras está automaticamente participando de um tipo de jogo (o Snap), que funciona assim: o snap é alegadamente um jogo em que as adolescentes usam pulseiras de silicone de várias cores, para assim transmitirem, uns aos outros, mensagens de conteúdo sexual. Uns tentam arrebentar a pulseira do outro. Aquele que consegue, ganha o direito ao “ato” ao qual a cor da pulseira corresponde. As “prendas” vão desde um carinho até uma atividade sexual”. Veja o significado* das cores das pulseiras de silicone abaixo (http://www.acores.com/):


Não observei se algum de nossos adolescentes estão usando as referidas pulseiras. Mas, diante deste alerta, peço aos pais e filhos que tenham sabedoria de Deus para observarem a sujeira por detrás de tudo isto. Precisamos ligar o sinal de alerta. A gazeta, um jornal secular, enfatiza: “e muitos ficam chocados quando descobrem que a pulseira usada pelo filho serve para esse tipo de brincadeira... Quantas mães não sabem do significado dessas ‘inocentes’ pulseirinhas e estão deixando as filhas e filhos usarem?” A gazeta ainda ouviu uma mãe de uma adolescente de 12 anos, que usa várias pulseiras. Diante de todas estas informações, disse: “os pais precisam tomar uma atitude”. Que você vai fazer? Esta mãe, preocupada, começou a pesquisar na Internet e descobriu sites onde se vendiam as pulseiras, grupos no Facebook e fóruns de menores a discutir quem usava que cores. Enquanto alguns pais já confiscaram as pulseiras, muitos continuam na ignorância do significado destes acessórios aparentemente da moda. A psicóloga Adriana Müller acredita que, para os pais, o melhor nessas horas é um diálogo franco com os filhos, explicando a eles os perigos associados a essa brincadeira. “Eles devem comparar esse problema com os valores defendidos pela família e criar limites para seus filhos”, aconselha. Pai, Mãe, pesquise! Busque a verdade e oriente seu (a) filho (a) em Cristo! 

Rev. Ângelo Vieira da Silva
* há certa variação nas práticas de cada cor.

A CONFISSÃO DE FÉ DE GUANABARA


No dia 7 de março de 1557 chegou a Guanabara um grupo de huguenotes (calvinistas franceses) com o propósito de ajudar a estabelecer um refúgio para os calvinistas perseguidos na França. Perseguidos também na Guanabara em virtude de sua fé reformada, alguns conseguiram escapar; outros, foram condenados à morte por Villegaignon, foram enforcados e seus corpos atirados de um despenhadeiro, em 1558. Antes de morrer, entretanto, foram obrigados a professar por escrito sua fé, no prazo de doze horas, respondendo uma série de perguntas que lhes foram entregues. Eles assim o fizeram, e escreveram a primeira confissão de fé na América (ver Apêndice 2), sabendo que com ela estavam assinando a própria sentença de morte.

TEXTO DA CONFISSÃO

Segundo a doutrina de S. Pedro Apóstolo, em sua primeira epístola, todos os cristãos devem estar sempre prontos para dar razão da esperança que neles há, e isso com toda a doçura e benignidade, nós abaixo assinados, Senhor de Villegaignon, unanimemente (segundo a medida de graça que o Senhor nos tem concedido) damos razão, a cada ponto, como nos haveis apontado e ordenado, e começando no primeiro artigo:

I. Cremos em um só Deus, imortal, invisível, criador do céu e da terra, e de todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis, o qual é distinto em três pessoas: o Pai, o Filho e o Santo Espírito, que não constituem senão uma mesma substância em essência eterna e uma mesma vontade; o Pai, fonte e começo de todo o bem; o Filho, eternamente gerado do Pai, o qual, cumprida a plenitude do tempo, se manifestou em carne ao mundo, sendo concebido do Santo Espírito, nasceu da virgem Maria, feito sob a lei para resgatar os que sob ela estavam, a fim de que recebêssemos a adoção de próprios filhos; o Santo Espírito, procedente do Pai e do Filho, mestre de toda a verdade, falando pela boca dos profetas, sugerindo as coisas que foram ditas por nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos. Este é o único Consolador em aflição, dando constância e perseverança em todo bem.
Cremos que é mister somente adorar e perfeitamente amar, rogar e invocar a majestade de Deus em fé ou particularmente.

II. Adorando nosso Senhor Jesus Cristo, não separamos uma natureza da outra, confessando as duas naturezas, a saber, divina e humana nele inseparáveis.

III. Cremos, quanto ao Filho de Deus e ao Santo Espírito, o que a Palavra de Deus e a doutrina apostólica, e o símbolo,[1][3] nos ensinam.

IV. Cremos que nosso Senhor Jesus Cristo virá julgar os vivos e os mortos, em forma visível e humana como subiu ao céu, executando tal juízo na forma em que nos predisse no capítulo vinte e cinco de Mateus, tendo todo o poder de julgar, a Ele dado pelo Pai, sendo homem.
E, quanto ao que dizemos em nossas orações, que o Pai aparecerá enfim na pessoa do Filho, entendemos por isso que o poder do Pai, dado ao Filho, será manifestado no dito juízo, não todavia que queiramos confundir as pessoas, sabendo que elas são realmente distintas uma da outra.

V. Cremos que no santíssimo sacramento da ceia, com as figuras corporais do pão e do vinho, as almas fiéis são realmente e de fato alimentadas com a própria substância do nosso Senhor Jesus, como nossos corpos são alimentados de alimentos, e assim não entendemos dizer que o pão e o vinho sejam transformados ou transubstanciados no seu corpo, porque o pão continua em sua natureza e substância, semelhantemente ao vinho, e não há mudança ou alteração.
Distinguimos todavia este pão e vinho do outro pão que é dedicado ao uso comum, sendo que este nos é um sinal sacramental, sob o qual a verdade é infalivelmente recebida. Ora, esta recepção não se faz senão por meio da fé e nela não convém imaginar nada de carnal, nem preparar os dentes para comer, como santo Agostinho nos ensina, dizendo: “Porque preparas tu os dentes e o ventre? Crê, e tu o comeste.”

O sinal, pois, nem nos dá a verdade, nem a coisa significada; mas Nosso Senhor Jesus Cristo, por seu poder, virtude e bondade, alimenta e preserva nossas almas, e as faz participantes da sua carne, e de seu sangue, e de todos os seus benefícios.

Vejamos a interpretação das palavras de Jesus Cristo: “Este pão é meu corpo.” Tertuliano, no livro quarto contra Marcião, explica estas palavras assim: “este é o sinal e a figura do meu corpo.”

S. Agostinho diz: “O Senhor não evitou dizer: — Este é o meu corpo, quando dava apenas o sinal de seu corpo.”

Portanto (como é ordenado no primeiro cânon do Concílio de Nicéia), neste santo sacramento não devemos imaginar nada de carnal e nem nos distrair no pão e no vinho, que nos são neles propostos por sinais, mas levantar nossos espíritos ao céu para contemplar pela fé o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus, sentado à destra de Deus, seu Pai.
Neste sentido podíamos jurar o artigo da Ascensão, com muitas outras sentenças de Santo Agostinho, que omitimos, temendo ser longas.

VI. Cremos que, se fosse necessário pôr água no vinho, os evangelistas e São Paulo não teriam omitido uma coisa de tão grande conseqüência.

E quanto ao que os doutores antigos têm observado (fundamen tando-se sobre o sangue misturado com água que saiu do lado de Jesus Cristo, desde que tal observância não tem fundamento na Palavra de Deus, visto mesmo que depois da instituição da Santa Ceia isso aconteceu), nós não podemos hoje admitir necessariamente.

VII. Cremos que não há outra consagração senão a que se faz pelo ministro, quando se celebra a ceia, recitando o ministro ao povo, em linguagem conhecida, a instituição desta ceia literalmente, segundo a forma que nosso Senhor Jesus Cristo nos prescreveu, admoestando o povo quanto à morte e paixão do nosso Senhor. E mesmo, como diz santo Agostinho, a consagração é a palavra de fé que é pregada e recebida em fé. Pelo que, segue-se que as palavras secretamente pronunciadas sobre os sinais não podem ser a consagração como aparece da instituição que nosso Senhor Jesus Cristo deixou aos seus apóstolos, dirigindo suas palavras aos seus discípulos presentes, aos quais ordenou tomar e comer.

VIII. O santo sacramento da ceia não é alimento para o corpo como para as almas (porque nós não imaginamos nada de carnal, como declaramos no artigo quinto) recebendo-o por fé, a qual não é carnal.

IX. Cremos que o batismo é sacramento de penitência, e como uma entrada na igreja de Deus, para sermos incorporados em Jesus Cristo. Representa-nos a remissão de nossos pecados passados e futuros, a qual é adquirida plenamente, só pela morte de nosso Senhor Jesus.
De mais, a mortificação de nossa carne aí nos é representada, e a lavagem, representada pela água lançada sobre a criança, é sinal e selo do sangue de nosso Senhor Jesus, que é a verdadeira purificação de nossas almas. A sua instituição nos é ensinada na Palavra de Deus, a qual os santos apóstolos observaram, usando de água em nome do Pai, do Filho e do Santo Espírito. Quanto aos exorcismos, abjurações de Satanás, crisma, saliva e sal, nós os registramos como tradições dos homens, contentando-nos só com a forma e instituição deixada por nosso Senhor Jesus.

X. Quanto ao livre arbítrio, cremos que, se o primeiro homem, criado à imagem de Deus, teve liberdade e vontade, tanto para bem como para mal, só ele conheceu o que era livre arbítrio, estando em sua integridade. Ora, ele nem apenas guardou este dom de Deus, assim como dele foi privado por seu pecado, e todos os que descendem dele, de sorte que nenhum da semente de Adão tem uma centelha do bem.

Por esta causa, diz São Paulo, o homem natural não entende as coisas que são de Deus. E Oséias clama aos filho de Israel: “Tua perdição é de ti, ó Israel.” Ora isto entendemos do homem que não é regenerado pelo Santo Espírito.

Quanto ao homem cristão, batizado no sangue de Jesus Cristo, o qual caminha em novidade de vida, nosso Senhor Jesus Cristo restitui nele o livre arbítrio, e reforma a vontade para todas as boas obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em seu poder, mas vem de Deus, como amplamente este santo apóstolo declara, no sétimo capítulo aos Romanos, dizendo: “Tenho o querer, mas em mim não acho o realizar.”

O homem predestinado para a vida eterna, embora peque por fragilidade humana, todavia não pode cair em impenitência.

A este propósito, S. João diz que ele não peca, porque a eleição permanece nele.

XI. Cremos que pertence só à Palavra de Deus perdoar os pecados, da qual, como diz santo Ambrósio, o homem é apenas o ministro; portanto, se ele condena ou absolve, não é ele, mas a Palavra de Deus que ele anuncia.
Santo Agostinho, neste lugar diz que não é pelo mérito dos homens que os pecados são perdoados, mas pela virtude do Santo Espírito. Porque o Senhor dissera aos seus apóstolos: “recebei o Santo Espírito;” depois acrescenta: “Se perdoardes a alguém os seus pecados,” etc.
Cipriano diz que o servo não pode perdoar a ofensa contra o Senhor.

XII. Quanto à imposição das mãos, essa serviu em seu tempo, e não há necessidade de conservá-la agora, porque pela imposição das mãos não se pode dar o Santo Espírito, porquanto isto só a Deus pertence.
No tocante à ordem eclesiástica, cremos no que S. Paulo dela escreveu na primeira epístola a Timóteo, e em outros lugares.

XIII. A separação entre o homem e a mulher legitimamente unidos por casamento não se pode fazer senão por causa de adultério, como nosso Senhor ensina (Mateus 19:5). E não somente se pode fazer a separação por essa causa, mas também, bem examinada a causa perante o magistrado, a parte não culpada, se não podendo conter-se, deve casar-se, como São Ambrósio diz sobre o capítulo sete da Primeira Epístola aos Coríntios. O magistrado, todavia, deve nisso proceder com madureza de conselho.

XIV. São Paulo, ensinando que o bispo deve ser marido de uma só mulher, não diz que não lhe seja lícito tornar a casar, mas o santo apóstolo condena a bigamia a que os homens daqueles tempos eram muito afeitos; todavia, nisso deixamos o julgamento aos mais versados nas Santas Escrituras, não se fundando a nossa fé sobre esse ponto.

XV. Não é lícito votar a Deus, senão o que ele aprova. Ora, é assim que os votos monásticos só tendem à corrupção do verdadeiro serviço de Deus. É também grande temeridade e presunção do homem fazer votos além da medida de sua vocação, visto que a santa Escritura nos ensina que a continência é um dom especial (Mateus 15 e 1 Coríntios 7). Portanto, segue-se que os que se impõem esta necessidade, renunciando ao matrimônio toda a sua vida, não podem ser desculpados de extrema temeridade e confiança excessiva e insolente em si mesmos.

E por este meio tentam a Deus, visto que o dom da continência é em alguns apenas temporal, e o que o teve por algum tempo não o terá pelo resto da vida. Por isso, pois, os monges, padres e outros tais que se obrigam e prometem viver em castidade, tentam contra Deus, por isso que não está neles o cumprir o que prometem. São Cipriano, no capítulo onze, diz assim: “Se as virgens se dedicam de boa vontade a Cristo, perseverem em castidade sem defeito; sendo assim fortes e constantes, esperem o galardão preparado para a sua virgindade; se não querem ou não podem perseverar nos votos, é melhor que se casem do que serem precipitadas no fogo da lascívia por seus prazeres e delícias.” Quanto à passagem do apóstolo S. Paulo, é verdade que as viúvas tomadas para servir à igreja, se submetiam a não mais casar, enquanto estivessem sujeitas ao dito cargo, não que por isso se lhes reputasse ou atribuísse alguma santidade, mas porque não podiam bem desempenhar os deveres, sendo casadas; e, querendo casar, renunciassem à vocação para a qual Deus as tinha chamado, contudo que cumprissem as promessas feitas na igreja, sem violar a promessa feita no batismo, na qual está contido este ponto: “Que cada um deve servir a Deus na vocação em que foi chamado.” As viúvas, pois, não faziam voto de continência, senão porque o casamento não convinha ao ofício para que se apresentavam, e não tinha outra consideração que cumpri-lo. Não eram tão constrangidas que não lhes fosse antes permitido casar que se abrasar e cair em alguma infâmia ou desonestidade.

Mas, para evitar tal inconveniência, o apóstolo São Paulo, no capítulo citado, proíbe que sejam recebidas para fazer tais votos sem que tenham a idade de sessenta anos, que é uma idade normalmente fora da incontinência. Acrescenta que os eleitos só devem ter sido casados uma vez, a fim de que por essa forma, tenham já uma aprovação de continência.

XVI. Cremos que Jesus Cristo é o nosso único Mediador, intercessor e advogado, pelo qual temos acesso ao Pai, e que, justificados no seu sangue, seremos livres da morte, e por ele já reconciliados teremos plena vitória contra a morte.

Quanto aos santos mortos, dizemos que desejam a nossa salvação e o cumprimento do Reino de Deus, e que o número dos eleitos se complete; todavia, não nos devemos dirigir a eles como intercessores para obterem alguma coisa, porque desobedeceríamos o mandamento de Deus. Quanto a nós, ainda vivos, enquanto estamos unidos como membros de um corpo, devemos orar uns pelos outros, como nos ensinam muitas passagens das Santas Escrituras.

XVII. Quanto aos mortos, São Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, no capítulo quatro, nos proíbe entristecer-nos por eles, porque isto convém aos pagãos, que não têm esperança alguma de ressuscitar. O apóstolo não manda e nem ensina orar por eles, o que não teria esquecido se fosse conveniente. S. Agostinho, sobre o Salmo 48, diz que os espíritos dos mortos recebem conforme o que tiverem feito durante a vida; que se nada fizeram, estando vivos, nada recebem, estando mortos.
Esta é a resposta que damos aos artigo por vós enviados, segundo a medida e porção da fé, que Deus nos deu, suplicando que lhe praza fazer que em nós não seja morta, antes produza frutos dignos de seus filhos, e assim, fazendo-nos crescer e perseverar nela, lhe rendamos graças e louvores para sempre. Assim seja.

O relato da história dos mártires huguenotes no Brasil, bem como a Confissão de Fé que escreveram, encontra-se no livro A Tragédia da Guanabara: História dos Protomartyres do Christianismo no Brasil, traduzido por Domingos Ribeiro; de um capítulo intitulado On the Church of the Believers in the Country of Brazil, part of Austral America: Its Affliction and Dispersion, do livro de Jean Crespin: l’ Histoire des Martyres, originalmente publicado em 1564. Este livro, por sua vez, é uma tradução de um pequeno livro: Histoire des choses mémorables survenues en le terre de Brésil, partie de l’ Amérique australe, sous le governement de N. de Villegaignon, depuis l’ an 1558, publicado em 1561, cuja autoria é atribuída a Jean Lery, um dos huguenotes que vieram para o Brasil em 1557, o qual também publicou outro livro sobre sua viagem ao Brasil: Histoire d’an voyage fait en la terre du Brésil.

O 1º CULTO PROTESTANTE NO BRASIL



O dia 10/03 remete-nos à lembrança dos acontecimento em torno do primeiro culto protestante no Brasil. É uma data muito especial. Quer conhecê-la? Pois bem, vejamos seu contexto histórico.

1. O Contexto Histórico

O Brasil era colônia portuguesa em regime de “Padroado”. O historiador presbiteriano, Dr. Alderi Matos, define o padroado como sendo “uma concessão feita pela Igreja Católica a determinados governantes civis, oferecendo-lhes certo controle sobre a igreja em seus respectivos territórios como um reconhecimento por serviços prestados à causa católica e um incentivo a futuras ações em benefício da igreja”. Em 1493, o Papa Alexandre VI redigiu um documento declarando a supremacia espanhola sobre as terras descobertas. Em 1494, o Tratado de Tordesilhas determinou o que seria da Espanha e o que seria de Portugal nas novas descobertas. Em 1549, chegaram os primeiros seis jesuítas ao Brasil (a Companhia de Jesus foi organizada 9 anos antes, em 1540). Em 1553, chega o mais famoso dos jesuítas, José de Anchieta. Em 1555, sob a liderança de Nicolas Durand de Villegaignon, um grupo de seiscentos franceses fundaram o Forte Coligny na Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, dando origem à “França Antártica”, ficando assim conhecida como “a Invasão Francesa”.

2. A Chegada dos Protestantes

Villegaignon solicitou a João Calvino o envio de pastores. Em 07/03/1557, chegaram dois pastores (Pierre Richier e Guillaume Chartier), um grupo de huguenotes (protestantes franceses) e refugiados vindos de Genebra, numa segunda expedição. Em 10/03/1557 celebraram o primeiro culto protestante em solo brasileiro. Em 21/03/1557 ocorreu a primeira celebração da Santa Ceia em rito Genebrino. 

3. A Confissão de Fé de Guanabara

Infelizmente Villegaignon não era o que todos pensavam. Assim, o “ex-frade” Jean Cointac levantou questões sobre o sacrifício da missa, a doutrina e usos dos sacramentos, a invocação e mediação dos santos, a oração pelos mortos, o purgatório e muitas outras que fizeram com que Villegaignon posicionasse católico e passasse a perseguir os huguenotes. Esses últimos buscaram refúgio entre os índios tupinambás. Tentaram fugir por navio, mas esse afundou. Cinco voltaram e foram aprisionados por Villegaignon. Surgiu assim a “Confissão de Fé da Guanabara” que culminou no enforcamento dos calvinistas.

O documento em anexo é um testemunho fiel das Sagradas Escrituras. É uma prova do preparo e do conhecimento profundo que os primeiros protestantes no Brasil detinham. A ‘Confissão de Fé de Guanabara’ é a profissão de fé desses irmãos protestantes, obrigados por Villegaignon, escrita no prazo de doze horas, respondendo à várias perguntas formuladas maliciosamente. Mais do que sua confissão de fé, os primeiros protestantes no Brasil estavam assinando a própria sentença de morte diante do ‘desconvertido’ Villegaignon. Incentivo os queridos irmãos a lerem o documento abaixo. Vale a pena ler e aprender com a história. 

Ao final de tudo, alguns conseguiram escapar e outros foram condenados à morte. Os que morreram foram enforcados e seus corpos atirados de um despenhadeiro em 1558. Antes de morrer, entretanto, deixaram um testemunho que ficou registrado para a posteridade e, pela graça de Deus em Jesus Cristo, para a eternidade.

Rev. Ângelo Vieira da Silva]

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CONFISSÃO DE FÉ DE GUANABARA
Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon

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Segundo a doutrina de S. Pedro Apóstolo, em sua primeira epístola, todos os cristãos devem estar sempre prontos para dar razão da esperança que neles há, e isso com toda a doçura e benignidade, nós abaixo assinados, Senhor de Villegaignon, unanimemente (segundo a medida de graça que o Senhor nos tem concedido) damos razão, a cada ponto, como nos haveis apontado e ordenado, e começando no primeiro artigo:

I. Cremos em um só Deus, imortal, invisível, criador do céu e da terra, e de todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis, o qual é distinto em três pessoas: o Pai, o Filho e o Santo Espírito, que não constituem senão uma mesma substância em essência eterna e uma mesma vontade; o Pai, fonte e começo de todo o bem; o Filho, eternamente gerado do Pai, o qual, cumprida a plenitude do tempo, se manifestou em carne ao mundo, sendo concebido do Santo Espírito, nasceu da virgem Maria, feito sob a lei para resgatar os que sob ela estavam, a fim de que recebêssemos a adoção de próprios filhos; o Santo Espírito, procedente do Pai e do Filho, mestre de toda a verdade, falando pela boca dos profetas, sugerindo as coisas que foram ditas por nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos. Este é o único Consolador em aflição, dando constância e perseverança em todo bem.
Cremos que é mister somente adorar e perfeitamente amar, rogar e invocar a majestade de Deus em fé ou particularmente.

II. Adorando nosso Senhor Jesus Cristo, não separamos uma natureza da outra, confessando as duas naturezas, a saber, divina e humana nele inseparáveis.

III. Cremos, quanto ao Filho de Deus e ao Santo Espírito, o que a Palavra de Deus e a doutrina apostólica, e o símbolo,[1][3] nos ensinam.

IV. Cremos que nosso Senhor Jesus Cristo virá julgar os vivos e os mortos, em forma visível e humana como subiu ao céu, executando tal juízo na forma em que nos predisse no capítulo vinte e cinco de Mateus, tendo todo o poder de julgar, a Ele dado pelo Pai, sendo homem. E, quanto ao que dizemos em nossas orações, que o Pai aparecerá enfim na pessoa do Filho, entendemos por isso que o poder do Pai, dado ao Filho, será manifestado no dito juízo, não todavia que queiramos confundir as pessoas, sabendo que elas são realmente distintas uma da outra.

V. Cremos que no santíssimo sacramento da ceia, com as figuras corporais do pão e do vinho, as almas fiéis são realmente e de fato alimentadas com a própria substância do nosso Senhor Jesus, como nossos corpos são alimentados de alimentos, e assim não entendemos dizer que o pão e o vinho sejam transformados ou transubstanciados no seu corpo, porque o pão continua em sua natureza e substância, semelhantemente ao vinho, e não há mudança ou alteração. Distinguimos todavia este pão e vinho do outro pão que é dedicado ao uso comum, sendo que este nos é um sinal sacramental, sob o qual a verdade é infalivelmente recebida. Ora, esta recepção não se faz senão por meio da fé e nela não convém imaginar nada de carnal, nem preparar os dentes para comer, como santo Agostinho nos ensina, dizendo: “Porque preparas tu os dentes e o ventre? Crê, e tu o comeste.” O sinal, pois, nem nos dá a verdade, nem a coisa significada; mas Nosso Senhor Jesus Cristo, por seu poder, virtude e bondade, alimenta e preserva nossas almas, e as faz participantes da sua carne, e de seu sangue, e de todos os seus benefícios.
Vejamos a interpretação das palavras de Jesus Cristo: “Este pão é meu corpo.” Tertuliano, no livro quarto contra Marcião, explica estas palavras assim: “este é o sinal e a figura do meu corpo.” S. Agostinho diz: “O Senhor não evitou dizer: — Este é o meu corpo, quando dava apenas o sinal de seu corpo.” Portanto (como é ordenado no primeiro cânon do Concílio de Nicéia), neste santo sacramento não devemos imaginar nada de carnal e nem nos distrair no pão e no vinho, que nos são neles propostos por sinais, mas levantar nossos espíritos ao céu para contemplar pela fé o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus, sentado à destra de Deus, seu Pai.  Neste sentido podíamos jurar o artigo da Ascensão, com muitas outras sentenças de Santo Agostinho, que omitimos, temendo ser longas.

VI. Cremos que, se fosse necessário pôr água no vinho, os evangelistas e São Paulo não teriam omitido uma coisa de tão grande conseqüência.  E quanto ao que os doutores antigos têm observado (fundamen­tando-se sobre o sangue misturado com água que saiu do lado de Jesus Cristo, desde que tal observância não tem fundamento na Palavra de Deus, visto mesmo que depois da instituição da Santa Ceia isso aconteceu), nós não podemos hoje admitir necessariamente.

VII. Cremos que não há outra consagração senão a que se faz pelo ministro, quando se celebra a ceia, recitando o ministro ao povo, em linguagem conhecida, a instituição desta ceia literalmente, segundo a forma que nosso Senhor Jesus Cristo nos prescreveu, admoestando o povo quanto à morte e paixão do nosso Senhor. E mesmo, como diz santo Agostinho, a consagração é a palavra de fé que é pregada e recebida em fé. Pelo que, segue-se que as palavras secretamente pronunciadas sobre os sinais não podem ser a consagração como aparece da instituição que nosso Senhor Jesus Cristo deixou aos seus apóstolos, dirigindo suas palavras aos seus discípulos presentes, aos quais ordenou tomar e comer.

VIII. O santo sacramento da ceia não é alimento para o corpo como para as almas (porque nós não imaginamos nada de carnal, como declaramos no artigo quinto) recebendo-o por fé, a qual não é carnal.

IX. Cremos que o batismo é sacramento de penitência, e como uma entrada na igreja de Deus, para sermos incorporados em Jesus Cristo. Representa-nos a remissão de nossos pecados passados e futuros, a qual é adquirida plenamente, só pela morte de nosso Senhor Jesus. De mais, a mortificação de nossa carne aí nos é representada, e a lavagem, representada pela água lançada sobre a criança, é sinal e selo do sangue de nosso Senhor Jesus, que é a verdadeira purificação de nossas almas. A sua instituição nos é ensinada na Palavra de Deus, a qual os santos apóstolos observaram, usando de água em nome do Pai, do Filho e do Santo Espírito. Quanto aos exorcismos, abjurações de Satanás, crisma, saliva e sal, nós os registramos como tradições dos homens, contentando-nos só com a forma e instituição deixada por nosso Senhor Jesus.

X. Quanto ao livre arbítrio, cremos que, se o primeiro homem, criado à imagem de Deus, teve liberdade e vontade, tanto para bem como para mal, só ele conheceu o que era livre arbítrio, estando em sua integridade. Ora, ele nem apenas guardou este dom de Deus, assim como dele foi privado por seu pecado, e todos os que descendem dele, de sorte que nenhum da semente de Adão tem uma centelha do bem.  Por esta causa, diz São Paulo, o homem natural não entende as coisas que são de Deus. E Oséias clama aos filho de Israel: “Tua perdição é de ti, ó Israel.” Ora isto entendemos do homem que não é regenerado pelo Santo Espírito. Quanto ao homem cristão, batizado no sangue de Jesus Cristo, o qual caminha em novidade de vida, nosso Senhor Jesus Cristo restitui nele o livre arbítrio, e reforma a vontade para todas as boas obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em seu poder, mas vem de Deus, como amplamente este santo apóstolo declara, no sétimo capítulo aos Romanos, dizendo: “Tenho o querer, mas em mim não acho o realizar.” O homem predestinado para a vida eterna, embora peque por fragilidade humana, todavia não pode cair em impenitência. A este propósito, S. João diz que ele não peca, porque a eleição permanece nele.

XI. Cremos que pertence só à Palavra de Deus perdoar os pecados, da qual, como diz santo Ambrósio, o homem é apenas o ministro; portanto, se ele condena ou absolve, não é ele, mas a Palavra de Deus que ele anuncia.
Santo Agostinho, neste lugar diz que não é pelo mérito dos homens que os pecados são perdoados, mas pela virtude do Santo Espírito. Porque o Senhor dissera aos seus apóstolos: “recebei o Santo Espírito;” depois acrescenta: “Se perdoardes a alguém os seus pecados,” etc. Cipriano diz que o servo não pode perdoar a ofensa contra o Senhor.

XII. Quanto à imposição das mãos, essa serviu em seu tempo, e não há necessidade de conservá-la agora, porque pela imposição das mãos não se pode dar o Santo Espírito, porquanto isto só a Deus pertence. No tocante à ordem eclesiástica, cremos no que S. Paulo dela escreveu na primeira epístola a Timóteo, e em outros lugares.

XIII. A separação entre o homem e a mulher legitimamente unidos por casamento não se pode fazer senão por causa de adultério, como nosso Senhor ensina (Mateus 19:5). E não somente se pode fazer a separação por essa causa, mas também, bem examinada a causa perante o magistrado, a parte não culpada, se não podendo conter-se, deve casar-se, como São Ambrósio diz sobre o capítulo sete da Primeira Epístola aos Coríntios. O magistrado, todavia, deve nisso proceder com madureza de conselho.

XIV. São Paulo, ensinando que o bispo deve ser marido de uma só mulher, não diz que não lhe seja lícito tornar a casar, mas o santo apóstolo condena a bigamia a que os homens daqueles tempos eram muito afeitos; todavia, nisso deixamos o julgamento aos mais versados nas Santas Escrituras, não se fundando a nossa fé sobre esse ponto.

XV. Não é lícito votar a Deus, senão o que ele aprova. Ora, é assim que os votos monásticos só tendem à corrupção do verdadeiro serviço de Deus. É também grande temeridade e presunção do homem fazer votos além da medida de sua vocação, visto que a santa Escritura nos ensina que a continência é um dom especial (Mateus 15 e 1 Coríntios 7). Portanto, segue-se que os que se impõem esta necessidade, renunciando ao matrimônio toda a sua vida, não podem ser desculpados de extrema temeridade e confiança excessiva e insolente em si mesmos. E por este meio tentam a Deus, visto que o dom da continência é em alguns apenas temporal, e o que o teve por algum tempo não o terá pelo resto da vida. Por isso, pois, os monges, padres e outros tais que se obrigam e prometem viver em castidade, tentam contra Deus, por isso que não está neles o cumprir o que prometem. São Cipriano, no capítulo onze, diz assim: “Se as virgens se dedicam de boa vontade a Cristo, perseverem em castidade sem defeito; sendo assim fortes e constantes, esperem o galardão preparado para a sua virgindade; se não querem ou não podem perseverar nos votos, é melhor que se casem do que serem precipitadas no fogo da lascívia por seus prazeres e delícias.” Quanto à passagem do apóstolo S. Paulo, é verdade que as viúvas tomadas para servir à igreja, se submetiam a não mais casar, enquanto estivessem sujeitas ao dito cargo, não que por isso se lhes reputasse ou atribuísse alguma santidade, mas porque não podiam bem desempenhar os deveres, sendo casadas; e, querendo casar, renunciassem à vocação para a qual Deus as tinha chamado, contudo que cumprissem as promessas feitas na igreja, sem violar a promessa feita no batismo, na qual está contido este ponto: “Que cada um deve servir a Deus na vocação em que foi chamado.” As viúvas, pois, não faziam voto de continência, senão porque o casamento não convinha ao ofício para que se apresentavam, e não tinha outra consideração que cumpri-lo. Não eram tão constrangidas que não lhes fosse antes permitido casar que se abrasar e cair em alguma infâmia ou desonestidade. Mas, para evitar tal inconveniência, o apóstolo São Paulo, no capítulo citado, proíbe que sejam recebidas para fazer tais votos sem que tenham a idade de sessenta anos, que é uma idade normalmente fora da incontinência. Acrescenta que os eleitos só devem ter sido casados uma vez, a fim de que por essa forma, tenham já uma aprovação de continência.

XVI. Cremos que Jesus Cristo é o nosso único Mediador, intercessor e advogado, pelo qual temos acesso ao Pai, e que, justificados no seu sangue, seremos livres da morte, e por ele já reconciliados teremos plena vitória contra a morte. Quanto aos santos mortos, dizemos que desejam a nossa salvação e o cumprimento do Reino de Deus, e que o número dos eleitos se complete; todavia, não nos devemos dirigir a eles como intercessores para obterem alguma coisa, porque desobedeceríamos o mandamento de Deus. Quanto a nós, ainda vivos, enquanto estamos unidos como membros de um corpo, devemos orar uns pelos outros, como nos ensinam muitas passagens das Santas Escrituras.

XVII. Quanto aos mortos, São Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, no capítulo quatro, nos proíbe entristecer-nos por eles, porque isto convém aos pagãos, que não têm esperança alguma de ressuscitar. O apóstolo não manda e nem ensina orar por eles, o que não teria esquecido se fosse conveniente. S. Agostinho, sobre o Salmo 48, diz que os espíritos dos mortos recebem conforme o que tiverem feito durante a vida; que se nada fizeram, estando vivos, nada recebem, estando mortos.

Esta é a resposta que damos aos artigo por vós enviados, segundo a medida e porção da fé, que Deus nos deu, suplicando que lhe praza fazer que em nós não seja morta, antes produza frutos dignos de seus filhos, e assim, fazendo-nos crescer e perseverar nela, lhe rendamos graças e louvores para sempre. Assim seja.

Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André la Fon.