EDUCAÇÃO CRISTÃ, UMA REFLEXÃO


No último domingo comemorou-se o Dia da Educação Cristã. Mas, será que há o que comemorar? Pense um pouco: quanto tempo temos dedicado a aprender aos pés do Mestre? Jesus viu no ensino a gloriosa oportunidade de formar os ideais, as atitudes e a conduta do povo em geral. Ele não se distinguiu primeiramente como orador, como reformador, nem como chefe, e, sim, como Mestre. Leia o artigo.

Vemos perfeitamente que ele não pertenceu às classes que inter­pretavam minuciosamente a Lei. Não. Ele ensinou. De forma alguma se distinguiu Ele como "agitador da massa popular". Não comprometeu sua Causa com apelos em reuniões populares, com práticas ritualistas, ou com manobras políticas, não. Ele confiou sua Causa aos prolongados e pacientes processos de ensino e de treinamento.

"A principal ocupação de Jesus foi o ensino. Algumas ve­zes ele agiu como curador, outras vezes operou milagres, pre­gou frequentemente; mas foi sempre o Mestre. Ele não se pôs a ensinar porque não tivesse outra coisa a fazer; mas, quando não estava ensinando, estava fazendo qualquer outra coisa. Sim, ele fez do ensino o agente principal da redenção." 

A ênfase que Jesus deu ao ensino ressalta do fato de em geral ser ele reconhecido como Mestre. "À luz dos Evangelhos, vemos que seus discípulos e contemporâneos o tornavam como Mestre." Ele foi mesmo chamado Mestre, Professor ou Rabi; e tudo isto, traz em seu bojo a mesma idéia geral expressa por Nicodemos quando disse:: "Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus" (Jo 3.2).

Nos Evangelhos, Jesus é cha­mado Mestre nada menos de quarenta e cinco vezes, e nunca se fala nele como pregador. Somando-se todos os termos equivalentes a Mestre, temos o total de ses­senta e um. Fala-se em Jesus ensinando quarenta e cinco vezes; e onze apenas pregando, e, assim mesmo, pregando e ensinando, como vemos cm Mt 4.23 — "ensinando em suas sinagogas e pregando o evangelho do reino". Outrossim, Jesus a si mesmo se chamava Mestre (Jo 13.13). Também dizia ser "a luz", vocábulo que traz a idéia de instrução. Nesta linha de pensamento, interes­sante é notar que João Batista sempre foi mais chamado pre­gador que mestre. 

Outra indicação desta ênfase sobre o ensino é a termino­logia empregada para descrever os seguidores e a mensagem de Jesus. Não são eles chamados súditos, servidores ou camara­das. A palavra cristão só é empregada três vezes no Novo Testamento para caracterizá-los e assim mesmo uma vez como zombaria. No entanto, vemos a palavra discípulo, que significa aluno ou aprendiz, empregada 243 vezes, para referir-se aos seguidores de Jesus. A mensagem de Jesus diz-se ser ensino (39 vezes), e sabedoria (06 vezes), não dando tanto a ideia de sermão.


Também se revela bem a ênfase do Mestre em ensinar no modo entusiasta e até agressivo pelo qual externou sua atividade educadora. Ele ensinava no Templo, nas sinagogas, no monte, nas praias, na estrada, junto ao poço, nas casas, em reuniões sociais, em pú­blico e em particular. "Relutava mesmo em curar, preferindo aproveitar a oportunidade para apresentar sua mensagem." Ma­teus diz — "Andava Jesus por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, e proclamando as boas-novas do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo" (Mt 4.23).

Toda a obra de Jesus estava envolta em atmosfera didática e não tanto num ar de preleções ardentes, pois observamos que os ouvintes se sentiam à vontade para lhe fazer perguntas, e ele, por sua vez, lhes propunha questões e problemas. Ele preparou um grupo de Mestres para que levassem avante sua obra. "No decorrer dos últimos dias de sua traba­lhosa vida, ele se dedicou ao ensino e preparo do pequeno grupo de discípulos que a ele se agregara." E ele os enviou aos confins da terra para que fizessem discípulos (para que os matriculassem na Escola de Cristo), a batizá-los (uma orde­nança educadora) e a instruí-los na observância de todas as coisas que lhes tinha mandado (Mt 28.19-20).

Rev. Ângelo Vieira, adaptado de J.M. Price, livro "A pedagogia de Jesus"


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