SEXO NA ADOLESCÊNCIA: O QUE VOCÊ PRECISA SABER?

“que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra” (1 Tessalonicenses 4.4)
O apelo sexual midiático, a globalização do sexo e sua indústria (dentre outros importantes fatores do mundo contemporâneo), têm produzido muitas dúvidas acerca da sexualidade e resultado na raridade da virgindade entre jovens e adolescentes.

Pesquisas pelo mundo têm apontado que o início da atividade sexual é cada vez mais precoce. Como exemplo, a abrangente pesquisa “Juventude, juventudes: o que une e o que separa”, estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO),* revelou que 66,5% dos jovens (dois em cada três), têm a primeira relação sexual até os 16 anos.

Considerando-se como um período de imaturidade, o sexo na adolescência pode ser embaraçoso e confuso. Aliado à pornografia e às drogas, pode render graves conflitos. Por isso, sem dúvida, a educação é o mais valoroso caminho para o esclarecimento do que está obscuro, para a solução do que é problematizado em forma de tabu, para a orientação em meio a tantos conceitos distorcidos.

Daí a relevância de palestras sobre a sexualidade e, consequentemente, deste texto intitulado “Sexo na adolescência: o que você precisa saber?”. Sim, o que você necessita saber?


1. Saiba que corpo em transformação não significa maturidade emocional

Definir a duração da adolescência é difícil. A partir de muitos pesquisadores, estabeleçamos o período entre 09 (Puberdade**) e 25 anos,*** reconhecendo que, geralmente, as meninas amadurecem antes dos meninos.

A transformação do corpo, porém, não é garantia do desenvolvimento das emoções humanas. Quando um adolescente não está minimamente preparado para a atividade sexual muitos problemas podem surgir. São comuns a gravidez, a transmissão de doenças e a imaturidade para progredir nos relacionamentos.

Muitos adolescentes preferem relações ao estilo “hookin up”, termo inglês que alude desde uns amassos ao sexo propriamente dito, porém, sem laços emocionais de um relacionamento. É o “ficar” do jovem e adolescente brasileiro. Nesse caso, o foco está nas sensações individuais, no próprio prazer e não no envolvimento afetivo. O ideal é amadurecer. Estabelecer uma relação afetiva recíproca.

2. Saiba que todo ato sexual possui profundas consequências

De fato, a perda da virgindade ainda é um marco importante. Claro, por mais banal que a atividade sexual seja apresentada ao público adolescente, o simples ato sexual é complexo. Há muitos medos (como de broxar, de não corresponder às expectativas, do corpo ou partes dele não serem atraentes, de se fazer “certo”). Alguns minutos de prazer podem lançar graves consequências por toda a vida.

Todo adolescente quer ser considerado adulto e maduro. Mas, a falta de experiência na vida, a dificuldade da busca pelo bom conselho e a falta do conhecimento sólido sobre o sexo, dificultam o entendimento do real significado afetivo no envolvimento sexual. 

Engana-se quem pensa em abuso sexual apenas em termos de estupro ou pedofilia. O homem machista que entrega à mulher – e somente a ela – a tarefa de se preocupar com as consequências de uma relação sexual, abusa da parceira. O indivíduo adulto que persuade o menor à sensualidade e ao sexo, abusa e gera desconforto e insegurança na criança/adolescente. O jovem/adolescente que usa medicações como o Viagra,**** ou drogas como o Ecstasy, irresponsavelmente abusa de si mesmo e do parceiro. Mais uma vez, serão comuns a culpa, a insegurança, o medo, a irresponsabilidade, a desconfiança, a gravidez, a transmissão de doenças e a imaturidade para progredir nos relacionamentos.

3. Saiba que toda informação/prevenção não podem ser recursos opcionais

A resistência ao uso de meios contraceptivos pode gerar consequências desastrosas, sejam elas sociais (gravidez), físicas (doenças) ou emocionais. A camisinha ainda é o principal anticoncepcional masculino. Não pode ser uma opção, mas um dever de todo homem.

Já ouvi falar de absorvente com vinagre antes do coito (tentativa de anticoncepção). Também há quem acredite que a primeira relação sexual não engravida. Pois bem, a verdade é que nenhum método contraceptivo é 100% eficaz. A camisinha pode romper, o diafragma pode se deslocar, a tabelinha pode falhar, a pílula por ser esquecida... Porém, o anticoncepcional feminino ainda é o melhor (apesar que é igual roupa, serve para você, mas, talvez, não sirva para a outra pessoa, devido ao organismo de cada um).

4. Saiba que há muitos mitos sexuais que precisam ser superados

Há muitos mitos a serem derrubados. O mito da “Prova de Amor” acontece quando o 'príncipe encantado' ou o seu “grande amor” determina que se há amor deve haver sexo. Pura fantasia. Valorize-se.

O mito do “Rótulo” ocorre quando não se cede sexualmente. Se não há vida sexual ativa, o menino pode ser rotulado de “gay” e a menina de “quadrada” ou “frígida”. 

Há também o mito do “Respeito”. engana-se quem pensa que será mais respeitado por não ser mais virgem. Pelo contrário, ser “adulto” envolve firmeza nas decisões.

Alguns declaram que vida sexual não tem regras, o que também é mito. Pura fábula! Há muitos conceitos obrigatórios para uma boa e prazerosa vida sexual dentro de um íntimo e afetuoso relacionamento a dois. 

Enfim, o que o apóstolo Paulo ensinou aos cristãos da cidade de Tessalônica (1 Ts 4.4) envolvia conhecimento, santificação e honra do próprio corpo. O que se pretendeu neste breve texto foi, justamente, possibilitar informação que possibilite a cada adolescente possuir o próprio corpo em santificação e honra. 

Rev. Ângelo Vieira da Silva*****

Sexo na adolescência? Pra descontrair...


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* A pesquisa focou-se em jovens brasileiros (áreas rural e urbana) com idade entre 15 e 29 anos. O estudo está disponível no portal da UNESCO. 

** As meninas transformam-se a partir da menarca e os meninos têm as primeiras poluções. O crescimento dos pelos pelo corpo, amadurecimento das genitálias e outros fatores definem o status de “adolescente”. 

*** A Organização Mundial de Saúde (OMS) declara que a adolescência termina aos 19 anos. Já a Associação de Pediatria e Hebiatria Californiana estende esse limite aos 25 anos. 

**** Medicamento desenvolvido pela Pfizer usado para tratar impotência masculina, como uma medida paliativa contra a disfunção erétil. 

***** Mestre em Ciências das Religiões pela Faculdade Unida de Vitória. Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Resplendor, em Minas Gerais. E-mail: revavds@gmail.com


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