OS ANJOS SÃO SERES PODEROSOS E IMORTAIS


“E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos” (Mt 28.2-4).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres poderosos e imortais. Apesar de limitados, os seres angelicais possuem poder e, uma vez criados, vivem para sempre. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Assim como o aspecto do conhecimento, os poderes angelicais podem sobrepujar aos dos homens em muitos sentidos (2 Pe 2.10-11; Hb 2.5-9), ainda que limitados. Entretanto, em Cristo, o poder do homem redimido se revela maior no instante que participam do julgamento dos anjos (1 Co 6.1-3), por exemplo. Na Bíblia, o poder dos seres celestiais é descrito como “valoroso” (Sl 103.20) e derivado do próprio Deus (2 Ts 1.7). Logo, com todo esse poder derivado do próprio Deus executam as suas ordens e lhe obedecem à palavra: “Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus [anjos], que fazeis a sua vontade” (Sl 103.21).

Em termos de eventos que demonstram tal poder, lembremos que as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruída por anjos (Gn 19.13). Igualmente, a densa “pedra do sepulcro” de Jesus foi removida por apenas um anjo (Mt 28.2-4). O livro de Atos revela como um anjo livrou Pedro da prisão (At 5.19-20; At 12.4-10). Até mesmo as figuras apocalípticas reforçam o poder dos anjos (Ap 7.1-3; Ap 14.18; Ap 16.5; Ap 18.1, 21). No fim, serão os anjos enviados para ajuntarem justos e injustos (Mt 24.30-31; Mt 13.39-43), tarefa que, igualmente, exige grande força.

Além de poderosos, os seres angelicais possuem imortalidade. Como já vimos antes, os anjos não são eternos, mas são criaturas imortais, perpétuas: uma vez criados, não estão sujeitos à morte, à dissolução ou aos efeitos do tempo, como o envelhecimento ou enfermidades, pois são imateriais, espirituais: “mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição” (Lc 20.35-36). Lembre-se que imortalidade – ou perpetuidade – é diferente de eternidade. Consequentemente, entendemos que os anjos não são eternos, mas, uma vez criados, viverão para sempre.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos e imortais.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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AS 95 TESES DE LUTERO PARA TWITTER


Em 2017 comemora-se 500 anos da Reforma Protestante, evento histórico marcado pela afixação das 95 teses teológicas que Martinho Lutero gostaria de reformar na igreja de seu tempo. Em comemoração, "twittei" uma tese por dia. Naturalmente, as teses são complexas e maiores que o limite de 140 caracteres do Twitter. Por isso, fiz um resumo ou uma breve explicação do teor de cada uma delas, que passo a transcrever abaixo:

Tese 1: Disse o Senhor e Mestre Jesus: arrependei-vos! Certamente quer que toda a vida dos crentes na terra seja contínuo arrependimento.

Tese 2: E "arrependei-vos" não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, a cargo dos sacerdotes.

Tese 3: O arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

Tese 4: O arrependimento e o pesar, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, até a vida eterna.

Tese 5: O papa não quer ou pode dispensar penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

Tese 6: O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus.

Tese 7: Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

Tese 8: Canones poenitendiales, q não as ordenanças de confessar e expiar, apenas aio impostas aos vivos, não dizem respeito aos moribundos

Tese 9: Eis pq o Espírito Santo nos faz bem pelo papa, excluído este de seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

Tese 10: Procedem mal os sacerdotes que reservam e impõem aos tais moribundos penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

Tese 11: Este joio, o transformar da penitência e satisfação, em penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

Tese 12: Penitência e satisfação eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, para provar a sinceridade do arrependimento e do pesar

Tese 13: Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos p/ o direito canônico, sendo dispensados, com justiça, d sua imposição

Tese 14: Piedade ou amor Imperfeitos daquele q se acha às portas da morte resultam em grande temor; quanto menor o amor, tanto maior o temor

Tese 15: Este temor e espanto tão só bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero

Tese 16: Inferno, purgatório e céu parecem tão diferentes qt o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza

Tese 17: Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

Tese 18: Parece não ter sido provado que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

Tese 19: Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela.

Tese 20: O papa não quer dizer com as palavras “perdão plenário de todas as penas” q todo tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas

Tese 21: Eis pq erram os apregoadores d indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado d todas penas e salvo mediante a indulgência do papa

Tese 22: Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que deviam ter expiado e pago na presente vida.

Tese 23: Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

Tese 24: A maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas

Tese 25: O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório qualquer bispo o tem no seu bispado e paróquia, de modo especial ou em particular.

Tese 26: O papa faz bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui).

Tese 27: Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

Tese 28: No momento em q a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro; a intercessão da Igreja tão só corresponde à vontade d Deus

Tese 29: E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

Tese 30: Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos pecados.

Tese 31: Tão raro como alguém que possui arrependimento verdadeiros, também é aquele q alcança indulgência, sendo poucos os que se encontram

Tese 32: Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

Tese 33: Há q acautelasse muito daqueles q dizem: A indulgência é a mais preciosa graça de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

Tese 34: Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

Tese 35: Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório não necessitam de arrependimento e pesar.

Tese 36: Todo cristão que se arrepende dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão sem breve de indulgência.

Tese 37: Todo cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

Tese 38: Não se deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

Tese 39: É extremamente difícil exaltar diante do povo ao mesmo tempo a riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento.

Tese 40: O verdadeiro arrependimento busca o castigo: mas a indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça quando há oportunidade.

Tese 41: É necessário pregar sobre a indulgência papal para que não se julgue ser a mesma preferível ou melhor às demais obras de caridade.

Tese 42: Deve-se ensinar não ser opinião do papa que a aquisição de indulgência possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

Tese 43: Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

Tese 44: Pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor.

Tese 45: Deve-se ensinar q aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito gasta dinheiro com indulgências provoca a ira de Deus

Tese 46: Deve-se ensinar que, se não houver fartura, fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências

Tese 47: Deve-se ensinar aos cristãos ser a compra de indulgências livre e não ordenada.

Tese 48: Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder + indulgências, + necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro

Tese 49: Deve-se ensinar serem boas as indulgências enquanto o homem não confiar nelas; mas prejudiciais quando se perde o temor de Deus.

Tese 50: Deve-se ensinar q, se o papa tivesse ciência da traficância d indulgências, preferiria ver a cated d S. Pedro ser reduzida a cinzas

Tese 51: Deve-se ensinar aos cristãos que o papa preferiria distribuir o seu dinheiro aos despojados do dinheiro pelos tais apregoadores.

Tese 52: Comete-se injustiça contra a Palavra quando se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

Tese 53: São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

Tese 54: Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

Tese 55: A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado

Tese 56: Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados na Igreja de Cristo.

Tese 57: Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

Tese 58: Tão pouco são os merecimentos d Cristo, porquanto são eficientes na salvação do homem interior e a cruz a morte p/ o homem exterior

Tese 59: São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

Tese 60: Afirmamos, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

Tese 61: Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

Tese 62: O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

Tese 63: Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

Tese 64: Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

Tese 65: Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

Tese 66: Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

Tese 67: As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça assim são consideradas pq lhes trazem grandes proventos.

Tese 68: Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais íntima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

Tese 69: Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência.

Tese 70: Têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários não preguem os seus próprios sonhos.

Tese 71: Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

Tese 72: Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

Tese 73: Da mesma maneira em q o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos q em comércio de indulgências procedem astuciosamente

Tese 74: Muito mais deseja atingir com a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade.

Tese 75: Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, significa ser demente.

Tese 76: Afirmamos, pelo contrário, q as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no q se refere à sua culpa.

Tese 77: Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

Tese 78: O atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, de acordo com o que diz 1Co12

Tese 79: Afirmar ter a cruz de indulgências adornada na igreja com as armas do papa tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

Tese 80: Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

Tese 81: Enaltecer a Indulgência faz com que seja difícil proteger ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

Tese 82: Por que o papa não tira todas as almas do purgatório movido por caridade, em troca do vil dinheiro, logo por motivo insignificante?

Tese 83: Por que continuam as missas em sufrágio das almas e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim, visto ser injusto?

Tese 84: Que piedade é esta que permite a um ímpio resgatar uma alma piedosa por amor ao dinheiro e não por livre amor e sem paga?

Tese 85: Por que os cânones de penitência tornam a ser resgatados mediante dinheiro de indulgência como se continuassem bem vivos, em vigor?

Tese 86: Por que o papa não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

Tese 87: Que parte concede o papa do dinheiro de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

Tese 88: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa concedesse a cada fiel dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

Tese 89: Visto o papa visar mais a salvação das almas do q o dinheiro, por que revoga as indulgências às quais atribuía as mesmas virtudes?

Tese 90: Refutar argumentos dos leigos pela força e não mediante a lógica, significa entregar a Igreja a zombaria e desgraçar os cristãos.

Tese 91: Se a Indulgência fosse apregoada segundo o sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

Tese 92: Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

Tese 93: Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

Tese 94: Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça, Cristo, através do padecimento, morte e inferno.

Tese 95: E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES RACIONAIS E MORAIS


‘‘A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar’’ (1 Pe 1.12).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres racionais e morais. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Os aspectos da racionalidade e da moralidade fundamentam a vontade angelical, suas escolhas e decisões, seus propósitos e interesses, suas disposições e aspirações, seja para o bem, seja para o mal (abordarei esse último aspecto em outro estudo, adiante).

Os anjos são seres racionais porque a Bíblia atribui a eles intelectualidade. Ora, além da capacidade notória da fala, esses seres pessoais possuem sabedoria, razão pela qual Absalão e Davi lhes são comparados: “Dizia mais a tua serva: Seja, agora, a palavra do rei, meu senhor, para a minha tranqüilidade; porque, como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para discernir entre o bem e o mal. O SENHOR, teu Deus, será contigo. 20 Para mudar o aspecto deste caso foi que o teu servo Joabe fez isto. Porém sábio é meu senhor, segundo a sabedoria de um anjo de Deus, para entender tudo o que se passa na terra”. (II Sm 14.17, 20; II Sm 19.27).

Além da sabedoria, os anjos também possuem conhecimento sobre-humano (Ef 3.10), enfim, altíssima compreensão e percepção das realidades espirituais e humanas, como fica notório nas revelações de Deus ao profeta Daniel (Dn 8.16; Dn 9.22; Dn 10.14), ainda que limitadamente (Mt 24.36; 1 Pe 1.12). Essa intelectualidade engloba todos os anjos. O diabo, por exemplo, arma ciladas sagazmente (Ef 6.11; 2 Tm 2.26; Gn 3.1). Portanto, não acreditamos que os seres angelicais sejam meros conceitos abstratos do bem ou mal.

A Bíblia prescreve que os seres angelicais possuem moralidade. Sim, os anjos são seres morais porque as Sagradas Escrituras atribuem a eles um padrão de conduta, ou seja, estão sob obrigação moral na qual foram recompensados pela obediência e punidos pela desobediência: “porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos”... “vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Mc 8.38; Jo 8.44). É o que estabelece a dicotomia santos anjos e pai da mentira/homicida, anjos eleitos e reprovados/caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais e morais. 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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MULHERES QUE SURPREENDEM

‘É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo’’ (Lc 24.22).

As mulheres nos surpreendem positivamente. Seja nos relacionamentos ou no trabalho, na igreja ou nas tarefas domésticas, elas podem nos surpreender em qualquer lugar e tempo, causando boa surpresa e, assim, nos faz muito bem admirá-las e nos maravilharmos com suas atitudes de amor.

Ora, em um cenário onde os homens se encontravam atordoados pela morte de seu Mestre e pelas possíveis perseguições que sobreviriam sobre todos os discípulos, as mulheres, mais uma vez, surpreenderam. Como? Em meio ao temor de muitos, elas foram ao túmulo de Cristo pela madrugada e, não achando o corpo do Senhor, corajosamente anunciaram a visão que tiveram de anjos, os quais afirmaram que Jesus vivia. Aleluia!

Não é diferente hoje, em mais uma oportunidade de regozijo das santas mulheres de Deus, discípulas do Senhor. Comemoramos o aniversário de organização de nossa Sociedade Auxiliadora Feminina. São muitos anos se colocando nas brechas, procurando realizar a vontade do Senhor. Portanto, neste dia tão especial, compartilho com nossas irmãs esta breve pastoral, desejando que as surpreendentes mulheres presbiterianas continuem:

(1) SURPREENDENDO NO EVANGELISMO. Vivam missões, mulheres! Orem e contribuam com a Grande Comissão. Evangelizar é um ato de duas verdades: disposição e ação. Lembre-se daquelas mulheres citadas Lucas 24, bem dispostas, acordando de madrugada para cuidar de seu Senhor. É verdade que Paulo nos ensina que nem o que planta, nem o que rega é alguma coisa, pois é Deus quem dá o crescimento (1 Co 3.7); porém, é bem verdade que Ele nos chamou para essa tarefa, porque ai de nós se não pregarmos o evangelho (1 Co 9.16). Surpreenda!

(2) SURPREENDENDO NA MISERICÓRDIA. O dom da misericórdia é demonstrado através de uma consciência social, ou seja, você, mulher presbiteriana, será misericordiosa ao ajudar os carentes, orar pelos enfermos, visitar os órfãos e viúvas, auxiliá-los em suas necessidades. Lembre-se: devemos chorar com os que choram e nos alegrarmos com os que se alegram (Rm 12.15). Surpreenda!

(3) SURPREENDENDO NA SABEDORIA. As Sagradas Escrituras revelam que a mulher sábia edifica a sua casa (Pv 14.1). Cumpre-se tal verdade quando você, mulher presbiteriana, sempre apresenta sua família diante de Deus em oração. Nossa própria casa é como uma igreja que necessita ser cuidada todos os dias, regada pela vida devocional de cada um de seus membros. Lembre-se, portanto, do hino ‘‘Aspiração Feminina’’, “nós crentes redimidas, depomos nosso lar, e as nossas próprias vidas, perante o teu altar”, e “sê tu uma bênção!” (Gn 12.2). Surpreenda!

(4) SURPREENDENDO NA COMUNHÃO. Sejam companheiras, mulheres presbiterianas! Sejam auxiliadoras! Jamais permitam as terríveis “panelinhas”, grupos que promovem a divisão. Pelo contrário, na busca pela verdadeira união fraternal, diligenciem o bem-estar interpessoal, pois, na igreja, a comunhão é fundamental, uma santa obrigação de todos. Surpreenda!

Enfim, reconheço que as mulheres que assim procedem sempre nos surpreenderão positivamente. Agradeço a Deus pela vida das mulheres de nossa igreja, lembrando seu próprio moto: “sejamos verdadeiras auxiliadoras, irrepreensíveis na conduta, incansáveis na luta, firmes na fé, vitoriosas por Cristo Jesus”.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES ESPIRITUAIS E INCORPÓREOS


‘‘pois, nele [Jesus], foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades...’’ (Cl 1.16).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres espirituais e incorpóreos. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Extraordinariamente, algumas passagens bíblicas apresentam alguns anjos assumindo uma forma física (Gn 18.2, 8; Gn 19.1, 3; Hb 13.2). Ao que parece, esses acontecimentos se deram para uma melhor compreensão da revelação divina e convencimento da realidade da presença angelical. Entretanto, ordinariamente, a maioria dos textos bíblicos apresenta que os anjos não possuem estrutura física como os homens, pois são incorpóreos, seres espirituais.

Tanto os anjos eleitos como os demônios são chamados de “espíritos”, palavra que designa o que é imaterial, ao contrário do que é corporal (Mt 8.16; At 19.12; Hb 1.14). Ao descrever a armadura de Deus, Paulo conclama os cristãos a resistirem firmes em uma luta além da materialidade (contra carne ou sangue), em uma batalha espiritual “contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes” (Ef 6.12).

Anjos não têm carne ou ossos. Veja: quando Jesus ressuscitou, apareceu aos discípulos várias vezes. Ao vê-lo ressurreto, amedrontados, pensavam se tratar de um “espírito”. Para provar sua ressurreição física, o Senhor contrapõe expondo que um espírito não tem carne, nem ossos como eles poderiam ver (Lc 24.37, 39). Se os seres angelicais são espíritos, logo, não possuem carne ou ossos. Além disso, eles não podem ser vistos, a não ser que Deus permita. É por isso fazem parte da criação denominada de “invisíveis” (Cl 1.16). Daí a metáfora de “ventos” que é atribuída a eles (Sl 104.4; Hb 1.7). Ora, sabemos da existência do ar ainda que não possamos vê-lo.

Lembremos que anjos não se casam. Ao tratar da ressurreição com a seita dos saduceus que, inclusive, não acreditavam em anjos (At 23.8), Jesus declarou que os seres angelicais “nem casam, nem se dão em casamento”, isto é, aplico eu, os seres angelicais não podem se reproduzir, uma capacidade biológica dada a outros seres vivos, como à humanidade (Mt 22.30; Mc 12.25; Lc 20.35).

Interessante! Das três leis do físico inglês Isaac Newton se estabelece que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço”. Entretanto, seres incorpóreos ou espirituais não estão limitados por regras como essa. Em termos da possessão demoníaca, por exemplo, muitos seres angelicais caídos ocupam o mesmo espaço, o mesmo corpo. Foi assim com o endemoninhado geraseno e a grande manada de porcos (Lc 8.30). Portanto, mesmo que os anjos sejam limitados e finitos por serem criaturas, possuem mais livre relação com o espaço e o tempo do que o homem, o que intensifica sua condição espiritual e incorpórea.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais e incorpóreos.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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