ÁRVORE DE NATAL: TER OU NÃO TER?



A árvore de natal é um símbolo muito usado nas residências, lojas e lugares públicos para identificar a chegada do Natal. Mas, o que a Bíblia poderia dizer sobre esse assunto? Será que cristãos protestantes podem usar árvores de natal? Creio que sim e algumas razões estão a seguir. 

Especificamente, pensa-se que em Jeremias 10.2-4 Deus, explicitamente, condena árvores de Natal. Há uma semelhança entre a coisa descrita no livro de Jeremias e a árvore de Natal, é verdade. Semelhança, no entanto, não é igual à identidade. O que o profeta descreveu era um ídolo, uma representação de um falso deus: “como o espantalho num pepinal, não podem falar; necessitam de que os levem, pois não podem andar. Não tenhais receio deles; não podem fazer o mal, nem podem fazer o bem” (Jr 10.5). A referência paralela ao texto supra, em Isaías 40.18-20 (ver também Is 10.18-20), esclarece que o tipo de coisa que Jeremias tem em mente é um objeto de adoração e não uma árvore de natal. Assim, a semelhança é meramente superficial. A árvore de Natal não se origina da adoração pagã de árvores naquele contexto (o que foi praticado em outros tempos e lugares), porém, de dois símbolos explicitamente cristãos do Ocidente da Alemanha Medieval.

A Enciclopédia Britânica descreve eventos poucos conhecidos em torno desse tema. Segundo ela, a moderna árvore de Natal se originou na Alemanha Ocidental. Era o principal esteio de uma peça medieval sobre Adão e Eva, uma árvore de pinheiro pendurada com maças que representava a "Árvore do Paraíso", uma encenação do jardim do Éden. Os alemães montavam tal árvore nos seus lares no dia 24 de dezembro, por ocasião da festa religiosa em torno de Adão e Eva. A Enciclopédia  ainda revela que eles penduravam bolinhos delgados e biscoitos de vários formatos no pinheiro, além do uso de velas que simbolizavam a luz de Cristo.

Observando as devidas proporções do assunto, para celebrar-se o Natal não há nada essencialmente maligno sobre a árvore de Natal. Como o mito moderno de Papai Noel, eis uma tradição relativamente recente. Ora, durante séculos as pessoas celebraram o Natal sem a árvore e sem o semi-divino residente do Pólo Norte. O que é essencial ao Natal é Cristo! No entanto, isso não quer dizer que devemos jogar fora as árvores. Nesse assunto, temos liberdade cristã para adotar tais tradições e usá-las para ensinar os nossos filhos sobre Cristo, ou para celebrar o nascimento de Cristo. Sejamos sábios e sóbrios; não sejamos extremistas. Celebremos o natal como deve ser: com consciência de seu significado, independentemente dos símbolos que adotarmos para o encenar.

Feliz Natal!

Rev. Ângelo Vieira da Silva

UMA OPINIÃO SOBRE AS SUPERSTIÇÕES NO FIM DE ANO


Deliberadamente, o cristão comprometido com as Escrituras se vê diante de muitos dilemas culturais que almeja ler à luz de sua fé. As superstições no fim de ano são um bom exemplo disso, pois, aparentemente, são muitos que estabelecem um apego e crença exagerados (até infundados) em coisas – roupas, alimentos, pessoas, atitudes, simpatias – puramente casuais.

Muito ligado à religiosidade ou à “sabedoria popular”, o conceito de superstição aborda as atitudes recorrentes que induzem ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes, seja pelo temor ou pela ignorância, que também pode ser chamado de crendice. Por isso, trago aqui uma singela opinião sobre o assunto, a fim de ajudar cristãos que necessitem de mais esclarecimentos e ainda não souberam como lidar com as superstições “obrigatórias” para o êxito na vida. Observe algumas delas:

1. AS CORES OBRIGATÓRIAS. É sabido que o branco é a cor mais popular no Réveillon, mas as superstições quanto às cores são inúmeras. Muitos julgam que o branco trará paz, o vermelho/rosa guiará a um novo amor ou paixão, o verde/amarelo/laranja atrairá dinheiro e o violeta proporcionará estabilidade, etc.. Todavia, o tom que confere sucesso na vida envolve a matiz do trabalho, caráter e sabedoria, crendo que Deus opera em cada uma das nuances.

2. AS COMIDAS OBRIGATÓRIAS. Assim como o peru está para o Natal, vários alimentos aparecem na lista de superstições para o novo ano. Na crendice popular, entre animais e frutos, o porco ajudará na prosperidade, o peixe fisgará fertilidade, o carneiro trará vitalidade, as sementes de romã, uvas (comer doze à meia-noite) e maçãs plantarão abundância que, ao lado das lentilhas (também devem ser consumidas à meia-noite), atrairão riquezas. É assim que a ilusão se torna um doce alimento para a alma faminta e ávida por refrigério.

3. OS GESTOS OBRIGATÓRIOS. Há uma série de gestos supersticiosos que remontam ao novo ano que se inicia. Muitos acreditam que bolsos vazios, guardar uma rolha da garrafa de champanhe ou três sementes de romã na carteira (esse último no dia 06/01, principalmente, jogando em água corrente no final do ano), trarão o tão sonhado e desejado dinheiro. Li que dar três pulinhos com a referida garrafa na mão sem derramar nenhuma gota e, depois, jogar o resto para trás, sem olhar, de uma vez só, é bom para deixar para trás tudo de ruim. Usar roupas novas, jogar moedas da rua para dentro de casa, beber três goles de vinho, acender velas na praia, abraçar alguém do sexo oposto à meia-noite, jogar rosas na água, fazer barulho à meia-noite, enfim, ter pensamento positivo... Inutilmente, esses gestos prometem afugentar o mau do mundo.

Biblicamente, o cristão é impelido a evitar superstições, simpatias e crendices mediante a atitude de Deus em relação aos adivinhadores, prognosticadores e agoureiros (Dt 18.9-14; Ez 13.23; Mq 5.12), que praticavam abominação ao observar sinais para predizer o futuro e aconselharem os israelitas. Estas “mágicas” devem ser abandonadas por amor a Cristo (At 19.19). Além disso, confiar em superstições é envolver-se com um engano cultural em detrimento a fé real pela qual nos movemos e vivemos (Hc 2.4; Rm 1.17; Gl 3.11). 

O mundo é mais carente a cada dia. Promessas para conquistar um novo amor, prosperidade, fortuna e felicidade a partir de superstições são um convite ao engano. O cristão comprometido com a Palavra de Deus sabe que é o Senhor que poderá suprir cada uma de suas necessidades (Fp 4.9-20). Deus pode fazer-nos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, super abundemos em toda boa obra (2 Co 9.8). Entregue e confie sua vida a Ele, Jesus, não às superstições. Deus é quem te guarda (1 Tm 1.12). Coma e beba para a glória de Deus (1 Co 10.31; Cl 3.17), não por causa das superstições.

Feliz ano novo!
Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES ORGANIZADOS: OS SERAFINS


“Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas...” (Is 6.2).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da organização dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “organização” busca-se compreender o “sistema”, “o modo pela qual se organizam” os seres angelicais, isto é, a estrutura na qual são designados. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que Deus organizou os seres angelicais em classes ou categorias, ordens ou graus, multidões ou companhias, como uma hierarquia. Após os querubins, continuemos o estudo pelos serafins.

Pouco se sabe acerca dos “serafins” (saraph, heb.). O termo hebraico tem origem no verbo “queimar, abrasar”, ação que representou uma de suas atividades na única passagem bíblica que menciona esses seres angelicais: a visão do Trono celestial pelo profeta Isaías (Is 6.2-7). A partir desse texto podemos observar algumas características desses seres.

Serafins são anjos nobres, afinal, estavam por cima daquele que estava assentado do alto e sublime Trono (Is 6.1-2), o Senhor, o próprio Jesus (Jo 12.39-41; Is 6.9-10). Assim como os querubins, os serafins ladeiam o trono do Deus Todo-Poderoso.

Além de serem representados simbolicamente em figura humana, os serafins possuem seis asas que, evidentemente, também representam valores: nem mesmo os serafins resistem ao brilho da glória divina (duas cobriam o rosto), até mesmo os serafins demonstram sua humildade diante do Rei (duas cobriam os seus pés) e também os serafins existem para servir o Todo-Poderoso (com duas voavam), assim como os demais seres angelicais (Hb 1.14).

Assim como os quatro seres viventes da visão joanina (Ap 4.8-9), os serafins ainda comunicaram a santidade de Deus em louvor, pois diziam uns para os outros: “santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). O “clamar” (qara', heb.) refere-se às sonoras proclamações antifônicas que denotam o louvor ao Santíssimo Rei.

Isaías viu as bases do limiar se moverem à voz dos seres que clamavam (Is 6.4). O fato dos alicerces do templo celestial tremerem ao som coro angelical demonstra o poder dos serafins, assim como a casa se encher de fumaça remete à presença do poderoso Deus (Ap 15.8).

A gloriosa visão fez com que o profeta reconhecesse seu pecado (Is 6.5). Ali, um dos serafins tocou a sua boca com uma brasa viva que tirara do altar, uma mensagem de purificação e reconciliação. Os serafins serviram como mensageiros dessa verdade sobre a vida do profeta. Não são eles quem purificam, mas o Senhor que os envia com essa mensagem (Is 43.25). 

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais, numerosos e organizados (querubins, serafins, etc.), sejam eles eleitos ou reprovados.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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